Plinio Sales
As pessoas que se julgam responsáveis, até certo ponto, tem a força de vontade para encontrar a fórmula para acabar com a corrupção que grassa em todas as sociedades do mundo inteiro. Está em todos os segmentos e setores, principalmente no foco do servidor público, em função do seu poder de aplicar as leis coercitivas e controladoras de comportamentos não éticos.
Você deve ter sido abordado por um fiscal de estrada advogado, algum tipo de concessão de facilidade por uma contrapartida financeira. Todos os que conheço já foram: do arresto de motos, ameaça de recolher o carro, demora de algum processo e outras avenças. Essa atitude já está sendo considerada nas regras normais de comportamento social. Tem indivíduos que já carrega na carteira um certo valor que é para o guarda.
Onde está a raiz disso tudo. Qual o comportamento que é causa dessa base que promove esses procedimentos vejo duas causas:
1. Excesso de leis e,
2. Má remuneração do servidor público.
Então, como diz Balzac, diante de uma força de sedução o mais correto é ceder.
Então para acabar com a corrupção tão em voga, bastaria:
1. Cancelar todas as leis, deixando o cidadão livre por conta da sua própria consciência e,
2. Dobrar os salários de todos os funcionários públicos, limitando a soma do total dos salários a 75% o valor orçamentário do órgão que o emprega, ou, mais radical, mandar todos os servidores públicos para casa, mandando-lhes os seus salários em casa.
Ai começaríamos do princípio.
1. Ensinar comportamento ético em todas as escolas, a partir dos livros religiosos e,
2. Instituir novas escolas de capacitação dos funcionários públicos encostados, obrigando-os a novamente se habilitarem a nova ordem comportamental de servidor público, a partir de um novo manual de comportamento.
Novamente, vamos encontrar com as raízes. Quem irá tratar de fazer essa reforma tão radical? Como escolher essa equipe maravilhosa de reputação e caráter ilibados, ficha limpa total? Será que encontraremos esses reformadores no céu, ao lado do pai? Quantos serão precisos? Quem vai tratar de organizá-los e treiná-los par exercer as novas funções.
Por tudo chega-se a triste conclusão que não temos condições de resolver o problema, assim diante desse fato concreto só resta ceder o ensinamento de Balsac – Ceder e aceitar a corrupção com uma regra social.
Ai, voltamos a qualificar o custo e o benefício social da corrupção. Tenho aconselhado que corrompa até 5% do orçamento e aceito se o gestor mostrar produtividade social. Só vale aquele que rouba, mas faz, Tipo Ademar de Barros de velha memória e, atual do Maluf na boca do povo. Então meu caro Genesco, como faria se estivesse sentado ao lado DELLE.
Rio de Janeiro, 30 de setembro de 2011