quarta-feira, 10 de agosto de 2011

AQUARELA DA SAUDADE PARA A RENATA

Plinio Sales

É difícil definir saudade. A melhor que conheço é dizer que é o sentimento do amor ausente. Precisa partir para o plástico visual de Monet.
Sigamos a receita, vamos pegar dois pequenos potes de tinta: um azul e outro amarelo. Naturalmente posicionamos a tela no cavalete e nos preparamos colocando o boné de Pintor na cabeça. Esticamos os dedos e não precisamos de pincel, nem do lápis de carvão do Naval. Vamos de dedos, copiando o estilo da Marina Montolli, sorvendo goles de uísque em copinhos caubói.
Molha-se os dedos no pote da tinta azul, inspira-se profundamente, fecha-se os olhos, e arrasta-se os dedos tintados na tela branca, em linhas sinuosas, desenhadas na mente. Quando achar que está bom, por instinto, usa-se os dedos da outra mão os molha no pote da tinta amarela e realiza o mesmo processo, com os olhos fechados, circunavegando os dedos tintados na tela já com desenhos da tinta azul. Depois de tocar a tela com os dedos tintados, ora um ora outro, de olhos fechados, termine o trabalho gastando umas duas horas. Molha os dedos das duas mãos ao mesmo tempo, na tela e, ao terminar, grita bem alto, com todas as forças do pulmão: Deus eu te amo!
Pode olhar pro quadro e, por milagre, verás o contorno da figura de Deus, com malhas brancas no centro, como se fosse a sua marca registrada.
E a saudade, onde esta?
Ora ficou lá atrás, quando instalou a tela no cavalete e arrumou os potes de tinta e estalou os dedos.
E assim se faz a aquarela da saudade para a Renata.

Rio de Janeiro, 29 de julho de 2011

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