Plinio Sales
No conjunto das conversas de um grupo social há uma pequena parcela de trocas que é segredo.
Embora pequena essa parcela carrega a importância nuclear da conversa. O acordo tácito é guardar pra si própria, nunca revelar a terceiros, próximos ou distantes.
Há segredos para não revelar o preço de uma ação importante que vai ser lançada no mercado em próxima data. Envolve muita gente, quase incontrolável de manter sem vazar.
Há os segredos entre os noivos de intimidades, antes do casamento, condenáveis pelos pais e parentes. São segredos bi-pessoais. Só interessa aos dois. Só contará no futuro no meio de conversas ou jogos sociais. E mesmo que um sujeito inocente declara em surdinha, para o lojista que apregoa: “conserta-se chaves e troca-se segredos”, e então o sujeito se aproxima do balcão e diz: “escuta, quando eu era criança eu dei a bunda.. e você? Nessa altura acabou-se o segredo íntimo-sexual da infância.
Há segredos militares sôbre tecnologia de armamentos militares, os segredos da posição estratégica das tropas num cerco de contenção ou de ataque. O próximo segredo do ataque que não pode fazer para não alertar o inimigo da ação planejada. E outros multiplos segredos.
E o segredo das notas escolares mal sucedidas para não enraivar os pais esperançosos.
E a observação do Lupícino Rodrigues ao dizer que “segredo é pra quatro paredes, primeiro é preciso escutar, pra depois comentar.”
Há o sinal divino de que Deus nos deu duas orelhas, dois ouvidos e apenas uma boca. Significa que devemos falar menos, ouvir mais e prestar mais atenção.
Há o segredo da Lurdinha sobre o seu passado que ela não conta nem pra ela mesmo, com medo de que ela abra a boca para o mundo que tudo ouve e que sobretudo propaga, sem o menor escrúpulo.
O pior é o segredo que ninguém sabe que é segredo e conta com a maior saia justa: “ele estava com uma mulher parecida com a dele, aos beijos e abraços”, na frente dos filhos deles que detestam essas educadas revelações.
Qual a razão de existir um segredo. Porque contar ou porque guardar em sigilo.
O segredo é sagrado na confissão ao padre. Pode levar alguém ao inferno. O segredo é pesado, pode derrubar o governo Nixon ou desfazer um casamento sólido do Príncipe Charles e a Princesa Diana.
O segredo é um terrível Gênio da lâmpada. Pode atender pedidos ou fazer desaparecer na fumaça. O segredo é como a esperteza do seu dono, pode crescer e comer o dono.
Eu tenho poucos segredos, mas certamente não conto pra ninguém: É segredo!
Quando Lupicinio disse que segredo é pra quatro paredes, dá a impressão de que ele estava com alguém masculino no quarto! Se não fosse assim, não seria segredo, pois a Lurdinha iria espalhar o troféu.
É preciso manter o segredo como segredo, senão já era o Vidigal todo ficaria sabendo.
Rio de Janeiro, 28 de março de 2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário