sábado, 12 de março de 2011

A perenidade do corno e a esperteza do Lula

Ouvi no ponto das vans do Vidigal uma assertiva simples e importante. Não sei se era o motorista ou se era o cobrador. Trabalhar em dupla em cada van. Dizia o filósfo que no Brasil era melhor ser corno do que Presidente! Fiquei surpreso e perguntei Por quê ? Respondeu-me rapidamente na ponta da lingua: é porque no Brasil o Presidente governa 4 anos e o corno é pra vida inteira. Pensei bem e achei que o Marcello tinha relativa Razão.

O Lula está tentando concorrer com o corno e desmoralizar a filosofia do Marcello.

A revelia dos seus companheiros de PT, lançou a Dilma como candidata dele, já sabendo que para que ela vencesse ele teria que voltar a ser lider sindical, não o Presidente da República no exercício do cargo: seria um sindicalista, transgredindo todas as leis eleitorais para empurrar e puxar a Dilma para o pódio. E conseguiu ganhar, sem ser a vitória cachapante que desejava. Foi só no segundo turno.

Mas, o que estava atraz do plano, e foi combinado no pequeno comitê de 5 pessoas, era fazer uma reforma eleitoral, extendendo o prazo da Dilma para 6 anos. E depois da Dilma volta o Lula ou outro do PT. Então por nossa conta teriamos: 8 anos já corridos, mais da Dilma são 14 e, em seguida,mais 6 do novo presidente que poderá ser o retorno do Lula. Agora teremos 20 anos com possibilidade de mais 6 igual a 26 anos de exercício presidencial do PT. E a sociedade que se ferre pra aprender que a rotatividade nos cargos públicos, evita a fadiga do material, analizando-se politicamente.

Bom, voltamos ao fato da perenidade do Corno. O Lula e o PT estão, tornando perene o cargo do Presidente do Brasil, igualando-se ao corno.

Então o Marcello perde a razão, ser Presidente do Brasil pode ser eterno igual ao corno.

O pior é se acumular: o Presidente incorporar os chifres do corno.

Desculpe Marcello você passou a bola pra mim.

Plinio Sales

Um comentário:

  1. ---------- Mensagem encaminhada ----------
    De: Luis Alcazar
    Data: 13 de março de 2011 09:04
    Assunto: Re: Artigos para Criticas
    Para: Plinio Sales


    Meu caro Plínio

    O teu primeiro texto (Pequenos Gestos) é muito bom porque traz um elemento fundamental nas coisas boas. A vida que te cerca. Vc, como morador de um lugar privilegiado do Rio pode incorporar estórias sensacionais do Rio de tantos Janeiros. A favela tão próxima ao asfalto e com uma vista que ameniza muito o sofrimento traz uma visão de vida peculiar e rica. A tua pequena estória é simples mas com um belo significado. Muito bom.

    A segunda nem tanto (A Perenidade do Corno e a Esperteza do Lula). Não pela observação do motorista da Van que traz com ela uma mágoa não explicitada e que não da pra analisar. A crítica a perenidade do PT e do Lula é na verdade o que todo político seja de que tendência for, almeja. Cabe a sociedade e somente a ela julgar. Todos sabemos que o nosso processo eleitoral e viciado e tendencioso e isso há muito tempo. Ha um evidente divorcio entre os representantes eleitos e os supostos representados. O congresso nacional que deveria ser um canal de escape as nossas angustias, sonhos e desejos é na verdade balcões de negócios pessoais dos eleitos. A reforma política é fundamental mas mais importante do que a reforma política é a discussão ampla, democrática e sem preconceitos sobre o que queremos. Sobre que tipo de sociedade somos e o que pretendemos como sociedade. Um exemplo disso esta no campo da antropologia. A antropologia sempre foi considerada uma ciência estatística da sociedade que levava em consideração números de pesquisas e censos para elaborar suas políticas e suas verdades. Até a chegada do Levi Strauss. Strauss veio ao Brasil e viveu com o índios. Dono de uma mente privilegiada, percebeu que a antropologia devia levar em consideração os costumes, a cultura, a vida dos povos analisados. E assim fez. Até hoje a antropologia humanista do Levi Strauss ainda tem seus desafetos nos Estados Unidos, os amantes eternos dos números e das estatísticas. A nosso reforma política tem que levar em consideração esta visão humanista do nosso povo. Não adianta vc discutir dentro do âmbito do congresso somente. Aquilo é uma ambiente viciado. Vc, privilegiado vizinho de uma comunidade fantástica pode contribuir e muito. Apenas há que se despir de preconceitos e dogmas que sem querer permeiam a nossa mente e o nosso raciocínio. Pensar exige livre pensar e principalmente exige ver além do horizonte. Não podemos cometer o erro de idealizar uma filosofia política. Temos que interpretar os anseios, sonhos e projetos da sociedade que nos cerca. E fazer isso com ume enorme dose de honestidade intelectual.

    Acho que todo enunciado deve no final sugerir um caminho novo, uma discussão nova. Uma diferente forma de ver um mesmo problema. Vc faz isso no teu primeiro texto. Não no segundo.

    Parabéns e um grande abraço

    Luis Alcazar

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