domingo, 20 de março de 2011

O COFRINHO DO HOMEM DO SAPATO GRANDE

Plinio Sales

A gente sempre encontra pessoas de vários modos de viver e de se comportar. O importante é a qualidade do caráter e a forma de considerar seus próximos, familiares e vizinhos.

Sempre ao começar o dia, lá pelas 5 da manhã, encontro o Homem do Sapato Grande no quiosque do Luis, sendo que ele terminou seu trabalho e para pra uma prosa, tomar um café e pesquisar o movimento das quadrilhas. Deseja trazer o caminho da fé em certas almas perdidas.

Em Taboão, a baixada de Juiz de Fora, ela derrama conhecimentos de cooperativa agribusiness, que ele aprende ouvindo o Globo Rural, colecionando revistas com muito zelo, fazendo-as sua fonte de consulta. Sabe tudo, do sexo da abobora ao tamanho certo da macacheira. Ensina como plantar, como se todo mundo gostasse da roça. Muitos estão no Vidigal, fugindo da escravidão rural. Já ele não, quer fazer carreira no mato, que só os veados fazem. Sonha largar tudo e voltar pra sua fazenda em Taboão.

Esbarra na vontade da Cissa, sua pequena mulher paraibana, que é corajosa e o enfrenta com muito ciume. Noutro dia, ela o esperou chegar de tarde (ele trabalha à noite), fora do normal, cheio de alpiste, e pondo às mãos nas cadeiras o interpelou dizendo: “Bonito heim!...” Foi a única vez que alguém lhe chamou de bonito.

Na casa dele o cachorro Kiko é o seu melhor e mais fiel amigo, abanando o rabinho toda vez que ele afaga o Kiko. O outro Kiko dele que só usa a função hidráulica, se recusa a entrar em ação nas horas que ele quer.

Noutro dia ele chegou tranquilo em casa, na hora normal, as 6:30 da manhã, entrou discreto, jogou o boné no pendurador de boné e dexou-se largar com força numa cadeira de um conjunto novo que a Cissa comprou.

Com o peso dele, aproximado 120 quilos, a cadeira se fez e em pedaços e ele desabou no chão, se quebrando por todos os lados. Afundou o cocix. Foi um estalo que até na a Tininha, minha manicure, ouviu.

Com aquele barulho todo seus filhos Tiago e Belinha, o Kiko e a Cissa correram para ajudar. Ele raivoso gritou: Oh! Cissa que diabo é essa cadeira que desaba com ligeiro sopro ? Se esqueceu que o sopro tinha 120 quilos. A Cissa preocupada perguntou: Machucou? Ele respondeu, que porra de machucar que nada ! Quanto custou essa bosta de móvel?

Novamente, a Cissa calmamente respondeu foi só R$ 900,00 (novecentos reais) em 10 vezes sem juros no cartão. Mas Cissa é muito caro. Repressenta uma boa parte do meu salário. E partiu pra quebrar os móveis, comprados por R$ 900,00 (novecentoos reias), e que ainda não pagou. Foi um buxixo só, quase que o Nem foi chamado para melhorar os animos.

A noite ele dirige sua van, só parando um pouco antes das 5 da manhã.

Esse homem do sapato grande, chama-se Geraldão, tem bom coração, e o seu melhor amigo é o Chicão, também fundadores da Cooperativa Vidvan, da qual foram eliminados, numa tomada de poder.

O Geraldão volta pra casa de moto, contratada na subida do Vidigal, monstrando o cofrinho da sua bunda que sai da sua calça de brim.

Geraldão quero ser seu amigo e comer pupunha no seu quintal de Taboão. Irei visitá-lo quando for a Juiz de Fora, que é a cidade mais próxima.

Va Geraldão com esse corpo gigante dizer: “Sim senhora Cissa, você é quem manda. Beijos Carlão !”


Rio de Janeiro, 20 de março de 2011.

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