Plinio Sales
Ontem a Renata, minha neta senior, conquistou mais um diploma. Penso que é o terceiro ou quarto. Com esse de ontem fica formada em “perícia criminal”. Técnica muito usada por Sherlock Holmes e Mr. Watson nos romances da famosa autora inglesa Agatha Cristhie.
Essa técnica serve para encontrar o criminoso com a simples análise de um fio de cabelo, esquecido na fronha do travesseiro onde a vítima foi passada dessa para melhor, porque para pior não pode. Não é meu caro Watson ?
Hoje em dia, além do cabelo usa-se muitos vestígios que nem são vistos a olho nu. Se é que tem olho que se veste na “Osklen”. Por exemplo análise do DNA, do esperma, da posição dos objetos diante da vítima e outras formas.
Os recursos de laboratórios acabam com os crimes sem solução, mesmo que tenham ocorrido séculos atrás. Veja o exemplo do Santo Sudário, que reproduz o rosto de Cristo, submetido ao teste do carbono, provou ser fraude. A fraude vem desde Cristo, embora ele não compactuasse.
Bom, a Renatinha deu mais um passo a frente. Agora vai tentar ser juíza, já que a Dilma pode ser Presidente do Brasil, porque não ser uma, importante juíza, ainda mais com formação de perita criminal.
Essas coisas só se conquistam com sangue, suor e lágrimas. É 99% de suor e 1% de sorte. Não existe outra fórmula. A não ser o chip da felicidade que acaba com a miséria.
Colecionar diplomas é preparar-se para obter o ISO-PSS98 da utilidade social. Poucos o tem. Eu tenho, pois o criei para mim e os meus amigos. Só não saio por aí, vendendo-o a preços exorbitantes. São os produtos e serviços anti-matéria. Não existem, não servem pra nada, mas geram renda e emprego.
Mas voltemos a importância do diploma. Lembro-me que ao pretender o primeiro emprego nos meus 14 anos, havia a necessidade de apresentar o diploma de datilografia e a seleção seria 30 dias depois. Corri ao Colégio Ultra na Praça da Bandeira, munido do dinheiro, cedido pela minha mãe, sequestrado das dispesas diárias; como a D. Iolanda faz do mesmo modo hoje em dia, para atender as emergências da Tuquinha. E as emergências são tantas. Já a Pituquinha é fornecedora, sempre tem dinheiro escondido que ela diz que é pra passagem: o grilo falante é que sabe da sua bela vida financeira.
O esforço valeu à pena, em 30 dias eu me julgava o mais importante e competente datilógrafo do Rio de Janeiro. Aprendi numa máquina Remington, aquela com teclas redondas. Rapaz, eu batia 200 palavras por minuto. Não servia pra mim, ninguém trabalha bem batendo 200 palavras por minuto. Só numa olimpíada da Remington.
Com esse diploma conquistei o meu primeiro emprego e daí pra frente, ninguém me segurou. Hoje estou desempregado, porque o diploma é outro, é o de Windows, TI e outros similares.
Mudou o mundo ou estagnei. Eu fico satisfeito com a minha Bolsa Família e uns bicos cá e lá e deixo a vida me levar, tomando caldinho de mocotó no quiosque do Luiz, em frente ao ponto das vans e próximo da subida do Vidigal.
Vê Renata a relatividade do diploma? Você subindo se projetando; é uma meteora. E eu com o meu diploma de datilógrafo me tornando um bosta-zero.
Se não fosse o Bolsa Família eu nem entraria no Reino do Céu.
Parabéns! Siga em frente, conquiste outros diplomas pela vida a fora.
Darei a você de presente, um grande vaso para você esquecer os seus diplomas duramente conquistados.
Vá ser juíza Renata !
Rio de Janeiro, 22 de março de 2011.
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