segunda-feira, 22 de novembro de 2010

NEM É MEIO, NEM É INTEIRO!


É interessante notar como os hábitos estão mudando com uma velocidade difícil de acompanhar.

Há alguns anos atrás, talvez uns 40 anos, a Nadir veio me oferecer um “Fax” que uma grande empresa japonesa estava lançando no Brasil. E ela para ganhar um dinheirinho, aceitou ser representante comercial, igual ao trabalho escravo da Avon. Fiquei curioso e imediatamente me interessei e agendamos uma apresentação. Reunímo-nos no escritório e ficamos maravilhados. O aparelho completava o telefone, recebia mensagens por escrito.

Sensacional ! maravilha ! Já existia nos EUA e na Europa há muito tempo. O preço era inacessível, mas nada que o amigo crediário não pudesse resolver, como a Casa Bahia.

Minha Corretora de Seguros ficou moderna. No cartão de visita passou a constar o número do fax.

Em 1990, quando o Collor imobilizou todas as poupanças acima de 50 mil, só me restou 2 faxes para recomeçar. Vendi um e fiquei com o outro e minha secretária para retomar o curso da vida. O fax foi importante.

Hoje procuro lembrar onde anda o fax. Está guardado num canto qualquer sem nenhum valor comercial. Nem a Caixa aceita penhorá-lo para ajudar no vale semanal.

Depois de 40 anos, encontro o Tininho e ele me pergunta: Qual é o seu e-mail? E a pergunta comum nas rodas da classe média. Se você não tem e-mail torna-se um cidadão de categoria menos qualificado.

Noutro dia, me comportando dessa maneira perguntei a uma amiga, a quem não via a muito tempo, se ela tinha e-mail. Prontamente me respondeu: “Nem é meio, nem é inteiro”. Só uso sedex. Logo me senti alijado do seu grupo de correspondentes.

Hoje estou viciado no e-mail, sinônimo do correio eletrônico. Há outros exemplos no nosso dia a dia. Fala-se agora do novo livro que está entrando no mercado literário: o e-book! O livro eletrônico parecido como uma tábua de bater bife. Nele cabem centenas de livros, que você lê rodando os dedos numa tela. Será a praga do futuro.

Todos vão querer ter um e-book. Pra quê? Pra perder o prazer osmótico da leitura fascinante de um livro de papel, que você deixa cair, ao lado da cama, quando pega no sono. Vai acabar também o troca-troca de livros, porque o “e-book” será igual a “escova-dente” ou a mulher: não se empresta a ninguém!

E verdade que a grande maioria, vai demorar a ingressar nesse modismo. Como o fax vai levar uns 50 anos para pegar no Brasil, mas vai pegar. É só esperar prá ver.

Outros exemplos existem. Vejam os telefones celulares, tão populares, que chegam até ter 3 por pessoa. As diaristas do Vidigal, procuram ter 2 no mínimo, para ajudar nas suas obrigações diárias.

Lembro da minha avó, em Alagoas, gritando bem alto, na boca preta do fone de parede, pois no seu imaginário não entendia como um parente distante pudesse ouvi-la sem gritar.

Hoje a meninada, baixa filme, baixa música, manda mensagens, tira fotos e outros truques que a nossa vã filosofia jamais entenderá.

Há notícias do Japão de que a TV será com a internet e aí, pronto, perderemos a liberdade de usar o controle para “zapear”, vendo novelas sentados no sofá da sala.

A sala vai se tornar a “lan-house” da Pituca e de amiguinhos. Ainda bem que temos o crediário da Casa Bahia para comprar uma telaplana, antes que a Xuxa se transforme apenas numa boneca virtual.

É preciso criar cursos de atualização tecnológicas para manter os mais velhos informados, senão deixarão de se comunicar com os filhos e os netos. Será o asilo do silêncio total.

Pelos menos abra seu e-mail para trocar correspondência com seus amigos e familiares.

Há muita filosofia em não se saber nada, mas também tem um preço a pagar.

Nem é meio, nem é inteiro !


Escrito em 23 de outubro de 2010

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