O poeta diria das saudades dos seus oito anos, que não voltam mais. Os aniversários vão seguindo e nos empurrando para novas responsabilidades. Enchemos a cabeça de conhecimentos vividos, cada ano, conversando com colegas e novos amigos. Enfim, julgamo-nos professores da vida e donos do saber. E nesse emaranhado de coisas, vem o tempo e caminha do nosso lado. Sempre a nos lembrar que os outros estão crescendo, ficando velhos e comemorando.
A noção do tempo é muito virtual. Ontem aos oito anos, hoje aos 50, há uma distância que não vemos, mas medimos nas folhinhas. No espaço, sente-se a diferença do tempo no fuso horário, ao telefonarmos para um parente no outro lado do mundo que está acabando de acordar, enquanto estamos nos preparando para dormir. É o tempo, é o espaço, é o tempo nos cabelos brancos da vovó, reproduzindo esse filme do espaço-tempo.
Falamos do tempo na Terra, mudando conforme ela gira, produzindo os dias e as noites, numa rotina sem fim. E todos nós girando juntos, da primavera ao inverno, trocando de agasalho em cada estação.
Será igual em outros planetas ou em outras galáxias? Certamente não! No espaço as leis funcionam diferentes, aumentando ou diminuindo os períodos de rotação e de translação em torno de outros sóis.
Os tempos caminharão por relógios diferentes, talvez funcionem ao contrário: da velhice para a juventude. Será melhor?!
No espaço, gastando tempo ou percorrendo distâncias, sempre nos defrontará num espelho, onde cada vez mais, encontramos nosso pai ou nossa mãe, do mesmo modo como se nos parecem em novos retratos que tiramos para o último documento.
O Dr. Luiz Vianna, brilhante político baiano, chegou a ser governador do seu estado, contava que aos 69 anos, após ter desembarcado da governança, encontrou-se, numa das ruas do centro de Salvador, com uma senhora muito simpática, meio gorda, com uma distinta cabeleira branca, sérias e respeitosas rugas, atravessou à sua frente e exclamou:
- Ô! Luiz.... Há quanto tempo!
Surpreso, ele procurou buscar na memória, aquela adorável fisionomia, sem sucesso.
Ela notando o Embaraço dele, recorreu e disse:
- Eu sou a Renata, fomos namorados no ginásio, na terceira série.
O Luiz Vianna parou atônito, ficou pensando exclamativamente com os seus botões:
“O Tempo... esse Canalha!
Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2010
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