sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O SERASA DO ZÓINHO (O começo de uma saga)

Zoinho é o apelido de um comerciante informal que sonha, como muitos outros, se tornar um microempresário, subir de categoria e virar um respeitável pai de família. Até aí nada de mais. Também é o sonho de muitos que moram nas comunidades povoadas de cidadãos que são muito lembrados no período eleitoral, como está acontecendo nesses meses pré-eleições. Já ganhou uns felizes e comemorado trocados, considerados como uma fortuna, para tomar conta de placas de candidatos. Não que vá votar em algum deles. Essa lealdade está fora. No voto delê manda a igreja.

Ele é morador personagem do Vidigal. Pai de dois filhos e venera sua mulher nordestina como ele. Com sacrifício de comerciante pobre deseja ver seus filhos doutores, ou pelo menos professores da vida.

Se esforça muito para alcançar essa meta.

Mas o principal na nossa palestra é falar do sistema de crediário do Zóinho. Pra começar ele chama a birosca dele de empresa. Emprega mão de obra eventual do Catuca, João Paiva, Tuninho Gambá e outros circunstantes que precisam de alguma ajuda financeira. Lógico que não têm carteira assinada, que ele considera o moderno trabalho escravo.

Vale transporte, 13º, férias, FGTS e outras conquistas dos trabalhadores nem pensar: ele mesmo não tem nada disso.

Sua “birosca” vende quase tudo que uma “birosca” oferece, sem poder manter grande estoque, senão o “choque de ordem” do Paes vem e leva tudo, matando-o de raiva. Está bem localizada, apesar da intolerância da vizinha, posseira de um belo terreno na Niemeyer, ao lado do qual tem seu vibrante comércio. A localização é privilegiada. Fica entre o ponto do ônibus, onde os passageiros esperam e desembarcam e em frente ao ponto das vans. Em frente ao fluxo de moradores que descem e sobem a rua principal do Vidigal. É conhecido de todos por seu jeitão de malandro coca-cola falante, respeitado por sua fama de competente em defesa pessoal, podendo usar, se for o caso, a faca da cozinha.

Vê-se que é proprietário de um potencial fundo de comércio, falta-lhe apenas o alvará de localização que a Prefeitura se nega a conceder-lhe. Até aqui temos um retrato descritivo do Zóinho.

Nas suas atividades empresariais, exercidas diariamente, a partir das 10 horas até as 20 horas, de segunda a domingo, implantou o Caderno-Serasa. Nele registra as transações dos fiados, que grande parte dos motoristas, trocadores e outros trabalhadores se cadastram, por causa das compras prá pagar na volta, ou daqui a pouco, ou logo que puder.

Em cima dessas contas a receber é um “leão” cobrador. Põe a boca no trombone e cobra, lembra, reclama até receber. Os clientes já sabem dessa maneira e fazem de tudo para irritar o Zóinho.

Êle divulga a todos os que estão próximo, suas vergonhosas inadimplências sem condolência. Já foi chamado pelo chefe do movimento para dar explicações, devido a denúncia de maus pagadores. Apesar disso, convive bem com todos os clientes da sua micro-empresa: a Birosca do Zóinho.

Na birosca, apesar de limpinha, não tem instalações sanitárias. É um sacrifício ir resolver seus problemas da bexiga e dos intestinos no matagal de trás. A água e a luz, naturalmente são puxados de algum patrocinador. Não conhece as contas da Light e da Cedae.

Todos temem o Caderno-Serasa do Zóinho. Não por receio de não pagar, mas pelo risco dos comentários e de ficar na ficha-suja tão comentada nessa época de eleições. Se o Zóinho fosse contratado pelas Casas Bahia, que atende democraticamente os moradores do Vidigal, os penduras seriam praticamente zero.

Em certa época o Zóinho sugeriu criar o Dia Nacional da Anistia dos Ficha Negativa do Serasa, como forma de recuperar os consumidores inadimplentes para uma nova vida de consumo. Mandei esse como Conselho ao Presidente, ver no meu blog www.cemconselhosaopresidente.blogspot.com

Muito mais poderíamos falar do Zóinho, mas é melhor conhecê-lo pessoalmente na sua Birosca em frente ao ponto das vans do Vidigal.

Em tempo, também faço parte do Caderno-Serasa do Zóinho, meu personagem da semana. Torcendo para que o sonho empresarial dele se torne realidade e que possa botar uma maquininha da Visa para melhorar o atendimento do crediário.

Zóinho você é a imagem de muitos brasileiros que sonham em vencer e dar uma vida digna a família.

Parabéns !

Rio de Janeiro, 06 de setembro de 2010.

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