Plinio Sales
O meu mestre Roberto Campos, brilhante pensador, homem avançado no seu tempo, ensinava-me que existem idéias cujo tempo já passou, outras cujo tempo ainda não chegou, mas há idéias que devem ser executadas agora.
O problema é que a massa fora da prática de pensar, vive descansando na maré da vida, está sempre fora do tempo. Se lançamos uma idéia revolucionária para este momento do tempo, logo seremos tachados de visionários, quando não de louco!
Estou engrossando a campanha de combate às fábricas de armas, pois matam mais do que o câncer. Nesta campanha apelo aos amigos das comunidades sociais, a maçonaria e a todas sociedades humanas que procuram a paz, a exemplo da guerreira “Green Peace”, a quem estou convocando também. Se metade dos que contribuem com verbas para combater o câncer, aderissem a essa campanha, muito mais mortes deixariam de existir se parassem de frabricar armas. Alguns cínicos defendem o uso militar das armas por razões de segurança nacional: pura falácia de covardes adormecidos e preguiçosos.
A arma é a matéria prima da morte. Deus se recusa a dar ao Diabo o poder de matar, porque daria esse poder aos fabricantes de armas. É muito mais ético transferir todos os recursos financeiros empregados em armas para combater a fome e a miséria no mundo. Precisamos de líderes carismáticos para empurrar essa campanha para cima e para frente, porque o tempo dessa idéia é agora. O nosso grande Obama poderia retirar todos os seus soldados das áreas conflituosas, treinados para matar, e transferí-los para outra guerra de combate a fome e a miséria em todo o mundo. Enquanto esse tempo não chega, por falta de força política, lanço a convocação especial do Lula para desfraldar essa bandeira. E aí sim, será o “Cara” prometido.
Muitos consideram que essa idéia é enxugar gelo ou engarrafar fumaça. Penso como o Dr. Ralf Nader que transformou os principios éticos da indústria automobilística mundial. Graças a ele existem os famosos “Recall”, reduzindo a quase zero os acidentes provocados por defeito de fabricação em carros. Não, não é, como os sonhos realizados do Martin Luther King, do Ghandi e do Mandela.
Estou propondo outra idéia revolucionária para harmonizar o mercado cambial do mercado que está indo pro brejo, independente da mudança do mercado real dos países europeus, com a sua inteligência, sua tecnologia e seu povo com avançada cultura. A crise que toma muito tempo dos seus líderes é inacabável e vai contaminar o mundo todo. Sabe porquê? É que a moeda é invenção do Diabo para atormentar Deus, foge da base partidária do governo.
A solução total passa por várias etapas, mas não consultem os economistas vivos, nem a Miriam Leitão.
Temos que penetrar no mundo do absurdo com idéias malucas. Podemos começar, constituindo um consórcio de países produtores de petróleo, os quais com suas reservas de petróleo, gás e poupanças, se proponham a comprar as dívidas externas dos países devedores do mundo e, ao mesmo tempo, reformulem a totalidade dessa dívida e alongue o prazo de pagamento para 100 anos, renovável pra mais 100 anos. A amertização seria paga com a importação de produtos dos países patrocinadores, equivalente a 10% do total das importações de cada um, durante o período dessa repactuação. Oferecerá como garantia as suas riquezas minerais e monetárias.
O acerto com os países credores será feito, caso a caso, sem estresses e nada de traumas, com prazos variáveis.
Esse seria o primeiro passo para uma solução talentosa, onde todos ganham. Poderíamos denominar de Plano Gaona.
O passo seguinte seria acabar com o mercado cambial de troca de moedas entre os países. Deveria rearrumar as relações de troca, com base no antigo escambo. A relação entre países, poderia ser enquadrada na Lei de Newton, em que a relação de troca estaria na razão direta da utilidade do bem e na razão inversa do conteúdo da sua força de trabalho. Ao trabalho os arquitetos de Deus para montar a matriz da solução, chamando David Ricardo para ajuda. Fuja da moeda, com ou sem lastro, pois é uma corda no pescoço que aperta mais naqueles que o tem mais fino.
Essa é uma idéia, cujo tempo já passou, mas precisa voltar para rearrumar a casa.
Abracemos os tempos absurdos e as idéias malucas.
Rio de Janeiro, 13 de julho de 2011