Plinio Sales
O escritor para falar corretamente, sem ficção, precisa saber as raízes e trajetórias sobre quem escreve. Falar ou escrever sobre a Tuca pra mim é fácil: vi nascer, sua formação, a personalidade adquirida, da mesma forma, como a Renatinha da qual farei o casamento “simulated” para permitir que, legalmente (a lei é minha) durman juntos, na mesma edificação onde moro. Aceitei alianças de madeira compradas no brechó da Praça XV. É melhor isso do que ficar bancando o corno cego dos finais de semana. E o cara representa as forças armadas. Forças essas que pretendo acabar com a reforma da administração pública que aconselho ao Presidente (ver meu blog) “seja submetida e aprovada por uma assembléia geral do povo, como raiz mandatário da nação brasileira: todo poder emana do povo e por ele, com as graças de Deus, será exercido. O povo contra o Cedae.
Veja e só começar que já se começa a falar de alguém. Se sou instado a falar de alguém, vou buscar o seu retrato, pelo menos vou colocá-lo na moldura certa. Se não me contarem nada parto pra ficção. Coloco logo chifres nele ou nela e reafirmo que tal enfeito é indolor, porque pai é aquele que cria. Me orgulho disso, sem chifre!
Vou ter que falar de muitos personagens do Vidigal, meu bairro querido, mas pra isso vou ganhar da Leize um pequeno gravador, pois o que eu tinha o Naval levou. Estou organizando com o Wanderley da Rádio Estilo Livre, para convocar cidadãos a contar estórias de pessoas da comunidade que por, ação ou omissão, fizeram a história do bairro. Desde a instalação do primeiro telefone com o prefixo 32 da Telerj até hoje com as “lanhouses” do bairro. São aproximadamente 70 mil habitantes, predominando a classe média.
Já temos mais de 30 estórias, deverá chegar a centenas. Vai ser difícil colocar no Livro Estórias, História e Personagens do Vidigal, que será lançado no começo do Carnaval do ano que vem, no 2012 na volta do Papa e visita do Obama reeleito.
A história do Sarrafo vai abrir o livro. Eu mesmo vou em caravana com o Josias e o Mãozinha entrevistá-lo em Saquarema, onde está vivendo bem seus dias majestosos de encerramento do seu desfile, classificado por mim como velho malandro, companheiro do Zé Pilantra da Lapa e do temido Madame Satã.
E assim vamos escrever e falar bem ou mal de alguém: É a nossa profissão. Como diz o velho Monte: “se os fatos discordam de mim, pior para os fatos.”
Rio de Janeiro, 06 de julho de 2011
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