segunda-feira, 4 de julho de 2011

A BRONCA DA MADRUGADA: BOM DIA PORQUÊ?

Plinio Sales

De médico e louco todo mundo tem um pouco diz o velho ditado do meu avô índio. Com ele aprendi a tradição de dar presentes, quando a primeira vez você recebe uma visita ou vai fazer uma visita. A preferência é das senhoras ou dos mais idosos. Com respeito a isso, estou acabando com o meu estoque de gravatas e com os vidros de perfume Avon da minha mulher, recebidos do encalhe da filha Sandra que está em Dallas, cuidando do neto dela.

Até aí, nada de bronca. A bronca aparece quando de madrugada encontro a Tuquinha vendo os filmes que varam a noite, dia seguinte até o sol chegar. Ao encontrá-la na minha ida para o meu trabalho matinal, começam as broncas: fecha a porta; porque dá bom dia ao sol as 2 horas da madruga; cuspir na pia é feio e vai embora. Dar bom dia, nem falar. Sou do time do Einstein que disse que toda a ciência dele terminava, quando ouve o cumprimento da neta dele, chamada Renata, ela começa: “Bom dia velho, vai inventar alguma maluquice hoje?”. É assim a vida de um veterano pensador.

Começo a refletir sobre a eficácia da bronca. Consta nos meios da mídia que, a forte Presidenta, deu uma bronca no Presidente da Petrobrás, porque ele insistia em contrariá-la em certo ponto de vista, em que provavelmente ele estava certo, por melhor conhecer a causa do petróleo e do gás. Em consequência da bronca, saiu chorando da sala. Esta cena é um prato feito para o cartunista Chico Caruso, se realmente for comprovado a consequência política é que pode prejudicar a campanha dele para Governador da Bahia nas próximas eleições. O adversário pode adotar o slogan: “Jamais levo bronca da minha mulher, adotamos respeito mútuo”. Vai ser uma paulada só, como me disse o Cel. Belcorígenes Sampaio, um bom amigo de Porto Seguro que conhece o quintal da política baiana.

O efeito bronca pode ser devastador, dependendo de que dá, quem recebe e as circunstâncias como isso acontece. O Gen. Geisel era firme nas suas posições. Já vi rasgar processos na cara dos postulantes, por contrariar os interesses nacionais. O Delfim Neto é outro arrazador nas suas réplicas: respondeu certa vez a um parlamentar que o criticava, por deixar de adaptar o milagre econômico aos novos preços altos do petróleo, respondeu dizendo: “Se ele tinha o segredo do aumentos dos preços da OPEP, porque não avisou a ninguém”, com isso matou a crítica do parlamentar, presunçoso economista.

O famoso professor de neurolinguística baiano, José Casali Filho, adota a bronca como ênfase jurídica. “Esse FDP desse juiz nem leu o processo, como pode dar essa decisão!” E vai argumentando sobre jurisprudencia, recursos e outras firândulas dos tribunais.

O mais sensato é usar a bronca positiva, virá-la ao contrário e transformá-la em elogio. Por exemplo: “Sérgio essa solução, que você nega, é realmente a sua melhor sugestão. “E o homem sairia rindo em vez de chorar.”

Vamos apostar no Dale Carnegie nos seus ensinamentos de “Fazer amigos e consquistar pessoas”, prática constante do Juscelino como conta a Vera Brant la em sua dacha de Brasília.

Ouça a bronca da madruga, dê Bom dia ao Sol e deixe a Tuquinha passar.


Rio de Janeiro, 30 de junho de 2011

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