terça-feira, 5 de julho de 2011

CASAR FAZ SENTIDO?

Plinio Sales

As estatísticas, bem feitas, indicam que dos casamentos 1 em 1.000 chega aos 50 anos hoje em dia. Poucos duram até a morte e, se isso ocorrer, os dois morrem quase ao mesmo tempo. Fica a profunda saudade ou ausêcia do outro, nem os filhos ou netos, suprimem esta saudosa ausência.

Tudo é maravilha, esperançoso e felicioso nos planos do casamento. A festa no dia do casamento, as palavras do Pastor e seus bíblicos recados. Só esquecem de dizer que além do respeito mútuo, diálogo, ternura, carinho, projeto comum, fidelidade e tesão deve acrescentar dormir em quartos separados, como a fórmula básica do longo e eterno amor.

Após a festa, solidariedade dos amigos mais chegados e parentes, fotografias, bebidas, comidas e doces, vem a esperada lua de mel, com a surpresa da virgindade ou a confirmação que ela já era. O próprio ou alguém chegou antes, sempre deixando aquele cravo de saudade.

Passados os primeiros dois anos, o calor esfria e a intimidade acaba com a relação. Daí pra frente, é como se fosse um sacerdócio: eu te amo, porque você me ama! Repetir todos os dias até acabar.

Quando o contrato acaba, num amistoso divórcio ou troca de insultos, jogando coisas pelas janelas, vai-se pensar noutra oportunidade, agora testando o caminho da internet. É a vitória da esperança sobre a experiência. E as vezes esse processo se repete mais de uma, duas e três vezes. Falta introduzir na receita os filhos resultantes. O planejamento estratégico do casamento esquece o depois: o que fazer com os filhos se nada der certo. A relação pais e filhos separados é por demais penosa para os filhos: é melhor ter pais “gays” cuja durabilidade é mais perene.

As reflexões sobre as virtudes do casamento, como união estável entre duas pessoas, ainda é muito frágil. A sociedade futura com os mais de 50% descasados e milhões de filhos separados vai ser estimulante às drogas, como muito fértil para os psicólogos e psiquiatras.

O representante da sociedade no Congresso, já pode apresentar projetos de leis para criar o Instituto de Proteção da Família Desestabilizada para proteger essa nova classe.

Com tudo isso, vale perguntar: Casar faz sentido?


Rio de Janeiro, 02 de julho de 2011

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