Plinio Sales
Me impressiona os testemunhos daqueles que passaram por uma cirúrgia que lhe salvou a vida. É aquela visão de que tudo passa na sua frente com uma rapidez única, fazendo uma revisão de todos erros e acertos e, principalmente, de tudo que deixou de ser feito.
Neste acidente fatal ocorrido com o avião da Air France, indo do Brasil para Paris, meu amigo Joais, um dos selecionados por Deus para reviver, contou-me que a partir da notícia do comandante do avião ao dizer, pelo microfone: “Preparem-se para o impacto.” Daquele instante em diante durou poucos segundos, muitos pensamentos rolaram por sua cabeça. As brigas bobas com sua mulher, uma convivência mais estreita com os filhos (faltou a vários eventos no colégio e foi tomar cerveja), as brigas desnecessárias no trânsito, como poderia ter sido mais feliz com pequenos e foi desfilando tantas coisas que deixou de fazer, por si, por sua família e por seus amigos, pois estava muito preocupado em comprar um carro novo e outros bens de consumo inúteis. E no caminho do impacto desejou morrer logo, sem despedaçar seu corpo, achando que a morte era mais suportável do que imaginava. Percorreu-lhe pelos olhos da mente, sua bela mulher, seus filhos e seus amigos, brincando de roda e pulando amarelinha. Por traz, vinha um figura com barba branca de braços abertos e sorrindo, chamando-o para uma alameda florida, com o barulhar das águas do rio, batendo contra as pedras, era lindo.
Ao abraçar-me senti o momento da virada ao renascer.
Ao ser salvo, transformou-se no mais novo amigo de infância de Cristo. Estava vivo com uma família maravilhosa e os melhores amigos do mundo.
Ele é um novo homem, chega a ser chato de tanta felicidade.
Será que é preciso ver a morte para ser feliz? Vamos tentar, sem viajar pela webjet.
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