segunda-feira, 4 de julho de 2011

TER A MENTE ABERTA E APRENDER

Plinio Sales

A arte de aprender é um estado de espírito constante. Tudo e todos podem nos ensinar alguma coisa. O professor é um profundo desconhecedor da cartilha da vida. Ele sabe as páginas que interessa e o que precisa para ensinar, muito pouco em relação ao total. Na verdade, todos somos ignorantes de carteirinha. É impossível saber tudo, como ensina o sábio Sócrates: “Só sei que nada sei.”

Ao observar os detalhes se aprende da mesma forma como se aprende com os grandes eventos. O bater das asas das borboletas processa as leis de Newton e podem provocar um furacão se for batida numa fresta certa e na hora certa. Os físicos observam esses micromovimentos para explicar porque a Terra gira.

O Stephey Walking, do assento da sua cadeira ergonâmica, bolou a teoria que carece de provação de que o Universo começou com um Big Bang. Tudo muito discutível para relatar um fenômeno que nunca aconteceu, porque o Universo nunca nasceu, sempre existiu e está em expansão.

Galileu Galilei tinha a mente aberta e observou e matutou muito para criar um caso com a igreja ao revisar a teoria geocentrica, ao afirmar quem girava era a Terra em torno do Sol. Foi difícil vender essa idéia, descoberta só no pensamento, pois na sua época ninguém tinha telescópio. Foi fruto de muito pensar em cima de observações permanentes, debaixo das críticas da sogra que o recriminava por ficar olhando demais para o firmamento.

Qualquer coisa pode ser mãe do conhecimento. É só prestar atenção. O vendedor de utensílios domésticos que passa apregoando os seus produtos tem marketing próprio e inato. Aprendeu observando com é que os outros faziam, modulando a voz para anunciar: “Madame estou aqui, sou todo seu!”

Observo a fila de formiguinha se preparando para hibernar. Vão carregando alimentos para estocar e enfrentar o longo inverno. Ela copiou de nós? Acho que foi de outro modo. Elas tem senhas de comunicação e usam suas antenas, mais eficientes do que as nossas artificiais e que toda hora saem do ar.

Há muita ordem em tudo que se vê. É natural ouvirmos constantemente o barulho das ondas do mar. É duvidoso dizer que Moysés parou o mar vermelho para fazer a passagem dos judeus. O que aconteceu foi outro fenômeno e demorou longo tempo para acontecer.

É sempre importante ter a mente aberta, poder de observação e querer aprender. Tem gente que despreza o ensinamento. Alega já ter o suficiente, o resto é superfluo. É o sábio do botequim, só olha pras mulheres que passam.

Vale repetir que todos precisam ter a mente aberta e um coração generoso porque “há muita coisa entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia” de Shakespeare em Hamlet.


Rio de Janeiro, 28 de junho de 2011

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