segunda-feira, 4 de abril de 2011

CARREGUE UM PORRETE, MAS SÓ USE-O COMO BENGALA


Plinio Sales

O Veríssimo do alto da sua imagem jornalística, conseguida com sangue, suor e lágrimas, no globo do dia 24/02/2011 disse:

“Fale suavemente, mas carregue um porrete”. E iluminou a frase dizendo que era a receita do Presidente americano Theodore Roosevelt para o sucesso na política externa. O porrete simboliza a arma ativa nas mãos de gente poderosa, mesmo que fale fino. Essa forma de ação se promove no mundo inteiro na boca de vários ditadores, depois ao caírem, viverão com fortunas e falando fino. Essa premiação de mau governante com contas bancárias nos países capitalistas esta chegando ao fim. O povo, no dizer de Lincoln, pode ser enganado por algum tempo, mas nunca por todo o tempo.

O meu porrete é diferente. É apenas uma bengala, para me sustentar em caso de perder a firmeza no joelho. Na verdade é uma arma de sustentação e de defesa. É feito de bambu velho do meu quintal. No meu quintal querido onde, temos um velho bambuzal, mal tratado, mas eterno.

Tem cano, mas não possui gatilho, ou detonador de explosivo. Se deixado sozinho no chão, obedece a lei de Newton: “fica em repouso, só se mexendo se nele tocarem”.

Na verdade o meu porrete não é nada, nem eu que com 73 anos, nunca ataquei ninguém, nem por legítima defesa. Foi confundido por agentes americanos (gorilas brancos) do Obama que faltou ao encontro no Hotel Sheraton. Tais agentes mal informados e também mal formados solicitaram que eu tirasse o porrete de cima da mesa, onde escrevo meus artigos matinais, porque poderia ameaçar os hospedes. Nessa linha de raciocínio degradado, um segurança do Sheraton, mal encarado, me interpelou, com gestos bruscos, dizendo que eu não podia circular no hotel com o meu porrete, porque poderia ameaçar os hóspedes às 5 da manhã, que na sua maioria são meninas de programa, acertando as contas com os seus marinheiros. Eu é que deveria ter medo de ser agredido, pois estou indefeso para agradar essas meninas. Ainda mais, alertou-me que na deveria mexes nos papéis que estavam em cima da mesa: São bonitos bloquinhos para uso dos hóspedes para escrever. Eu, hóspede peregrino do Sheraton do mundo inteiro, principalmente o de San Diego, onde me hospedo com o meu neto Diogo, fiquei assustado com essas advertências, pois mexo nos papéis porque sou o escritor solitário das madrugas do Sheraton, onde escrevo meus artigos, como esse, as 4 horas da manhã, hora em que só o pessoal das tripulações aéreas de desospedam. A ninguém agredir literalmente só aos seguranças, que saberiam derrotar minha bengala oriental de defesa.

Agora, para evitar confrontos, deixo a minha bengala, num esconderijo na portaria, do lado de fora, e entro mancando para escrever, pois sou um dublê de escritor-professor de 73 anos, amantes do Diago.

Julgo-me o Mario Quintana do Sheraton do Vidigal, que tão bem me recebe no mundo inteiro.

Valeu Sheraton, embora não saiba se você já empunhou um porrete americano mandando bala na Líbia.

Rio de Janeiro, 28 de março de 2011

Um comentário:

  1. de Luis Alcazar
    responder a Luis Alcazar

    para Plinio Sales

    data 4 de abril de 2011 20:24
    assunto Re: Artigo CARREGUE UM PORRETE, MAS
    SÓ USE-O COMO BENGALA
    enviado por yahoo.com
    assinado por yahoo.com

    ocultar detalhes 4 abr (1 dia atrás)
    Meu caro Plínio
    Muito bom artigo, carregado de uma justa indignação. Suave mas firme e escrita com belo humor.
    Sugiro que vc mande este texto com todos os anexos de endereços e acrecentando mais alguns para a direção do sheraton e cópia para a seção de cartas dos grandes jornais. Não que é isso va fazer alguma diferença mas a unica arma que nós escritores eventuais das madrugadas e sues mistérios suvaes e doces, temos é a indignação e nossos textos. Agressões dos gorilas não devem ficar impunes como bem nos ensinou o King Kong, metralhado pelos aviões da primeira guerra. Os nosso aviões e balas são mais modestos mas não menos cortantes.
    Porretes neles.
    Parabéns solidários e um abraço
    Luis Alcazar

    de Luis Alcazar
    responder a Luis Alcazar

    para Plinio Sales

    data 4 de abril de 2011 20:47
    assunto Re: Artigo CARREGUE UM PORRETE,
    MAS SÓ USE-O COMO BENGALA
    enviado por yahoo.com
    assinado por yahoo.com

    ocultar detalhes 4 abr (1 dia atrás)
    Meu caro Plínio
    Ainda sobre a imbecilidade dos gorilas do Sheraton.
    A expressão que o Theodore Roosevelt cunhou e que se tornou um moto de sua política externa era “Talk softly but carry a stick”
    Era uma engraçada mas interessante maneira de encarar as mazelas das relações internacionais. Seja doce e sorria mas mostre que vc é forte e firme e que tem um enorme bastão a mão. Vc nem precisa usar o bastão. Essa é a força.
    Uma das celebres frases do poderoso chefão, Don Corleonoe na pele do Marlon Brandon, já no final da vida, doente mas ainda firme da conselhos a seu filho, dizendo” Eu lutei pela minha família e nunca deixei que os outros me tratassem como um idiota”
    A mensagem não era de um mafioso, na verdade um personagem fictício. Era uma mensagem moral de firmeza. Uma das tantas mensagens que o cinema americano tão bem sabe passar, como por exemplo os velhos western do Ford, cheios de poesia e lições de vida no meio da brutalidade pragmática que os cerca. Nem todo americano é imbecil.
    Não devemos deixar que nos tratem como idiotas. A nossa força não é física mesmo porque a força física é burra e breve. A nosso força é moral e essa força marca território e mostra que não podemos ser tratados como idiotas. Falar suave, com inteligência, com humor até, mas com firmeza mostrando a essas coletâneas de células caóticas revestidas de músculos e ternos escuros e óculos negros como o vazio de seus cérebros que somos pessoas e não imbecis. E escrever que esse é o nosso porrete.
    Abraços
    Luis Alcazar

    de Plinio Sales
    para Luis Alcazar

    data 5 de abril de 2011 02:55
    assunto Re: Artigo CARREGUE UM PORRETE,
    MAS SÓ USE-O COMO BENGALA
    enviado por gmail.com

    ocultar detalhes 5 abr (1 dia atrás)
    luis,

    nos temos um peso a carregar, mas vamos tentar nao bater as asas da borboleta do caos
    obrigado

    plinio

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