Plinio Sales
Os bacharéis de 1964 do Curso de Ciências econômicas da Faculdade de Ciências Políticas e Econômicas do Rio de Janeiro. Sentir-se-ão honrados com a presença de V. Exª e Exma Família nas solenidades de sua formatura que serão realizadas nos dias 5,6 e 8 de janeiro de 1965.
Este é o preâmbulo do meu convite de formatura, realizada há mais de 50 anos. Foi difícil chegar a 1965, levei 28 anos e já passei 50 anos, quase o dobro do tempo. Foi um importante marco na minha vida, como é na vida de todos os estudates ao ver realizado um sonho impossível.
Lembro de todos os colegas orgulhosos, ostentando tamanhos variados, jogando seus chapéus, uníssono, para a platéia. Estavam lá os pais orgulhosos, saboreando um grande começo de vida dos seus filhos.
Foram 19 professores para cobrir todas as matérias. Entre eles, estretei amizade com o Prof. Jorge de Aguiar Brennand, professor de Administração, que sempre me deu 10 com louvor. Já era um bom amigo. Hoje é o meu crítico privilegiado dos meus livros, escrevendo o prefácio com muita lucidez e inteligência. Já está cansado, mas chegará aos 100 anos, o mesmo título dos meus livros que ainda irá prefaciar neste ano.
De todos os meus colegas formandos, somente dois ainda tenho contato: 1) o Max Paskin e 2) o Paulo Adolpho Aizen. Os demais sumiram no fog do tempo: um a um se retirando lentamente, como se fosse uma marcha fúnebre.
Onde andará o Aluísio Marins, trovador das pernas das mulatas. E o Tanizaki, sempre planejando ficar rico em São Paulo. E outro tantos.
Nos primeiros 10 anos comemorávamos festas de formaturas, mas devagarinho a turma foi se dispersando. Como seria bom se pudéssemos nos reunir sempre para trocar nossas experiências profissionais, histórias das nossas famílias, dos nossos netos e bisnetos. Só contar coisas de sucesso e de formaturas que aos nossos olhos vão passando. Como um filme animado, tal como o da Renatinha (pra mim avô coruja) que hoje é uma quase senhora, cheia de projetos de vida em parceria com o CEDAE.
Na época da nossa formatura, ser economista era o maior charme. Tinhamos como espelho grandes Economistas brasileiros e mais ainda os estrangeiros.
Lembro dos meus ídolos:
· Roberto Campos
· Mario Henrique Simonsen
· Jesse Motello
· Eugenio Gudin
· Otavio Voveia de Bulhos
· Delfin Neto
· Ernani Galveas
· Paul Samuelson
· Reinaldo Gonçalves
· Joan Robinson
· Isac Kersteneky
· Manoel Orlando
· Prof. Candido de Almeida
· Julian Chacel
· Tantos outros
Pretendíamos solucionar todos os problemas sócio-econômicos com o uso das equações de Keynes que tautológicamente pregava que a longo prazo todos nós estaremos mortos, o que o Dicró canta: “Se quiserem fazer algo por mim que façam agora, porque depois de morto só restará a saudade!”
Apesar desses sonhos tecnológicos, sociais e espirituais, pouco fizemos pelo progresso do Brasil. Os desafios continuam os mesmos e a equação de Keynes ainda presente, lembra que a longo prazo todos estaremos mortos, e a cada década estaremos portando o cartão do idoso.
Não quero parodiar Casimiro de Abreu, mas digo:
“Oh! Que saudades que tenho
dos meus tempos de faculdade na praça XV.
Do Angu do Gomes, no fim da tarde
da carona do Paulo Adolfo com a Kombi da editora.
Das provas, das notas, eu sempre em primeiro lugar.
Do diretório Acadêmico (eu era diretor) o Reginaldo o Presidente.
Das conciliações com o Prof. Candido de Almeida e de suas negociações para evitar greve e atender nossas reivindicações.
E outras lembranças...”
Se tudo isso, valeu a pena?
Lógico que valeu, embora o Roberto Campos, sempre irônico, definia economista: “como o técnico que pede seu relógio emprestado pra te dizer as horas.”
Nas entrelinhas do Meu diploma se lê toda a minha história e o imenso apoio da minha esposa, dos meus filhos, dos meus parceiros para familiares e posso dizer:
“Sou economista, mas sou feliz.”
Rio de Janeiro, 08 de abril de 2011.
Nenhum comentário:
Postar um comentário