Plinio Sales
Falei longamente com o Jan, nosso novo pintor (é bom) de infância. Abordamos vários assuntos. O Jan tem a pretensão de mudar o curso da humanidade para melhor. O problema é saber quê melhor, quer conquistar a consciência universal da sociedade. É difícil ser puro filósofo, no sentido de “só pensar” e indagar porquê. Não é comum pensar reto e direto, sem esconder os pensamentos.
Disse-lhe que se alguém descobriu a água, com certeza esse alguém não foi o peixe. Por essa razão, se você está dentro e faz parte do processo, você não enxerga os movimentos sociais se você é parte. Você está perdido no processo, conforme diria KAFKA.
Falamos de diversos temas filosóficos e como modificar o modo de agir das pessoas e por fim da sociedade. Chegamos a conclusão que estamos sonhando, mas que vale a pena sonhar.
Mas se trata de sonho, é melhor ser poeta, fazer poesia com a natureza, pois essa é uma boa forma de arte.
No alto, nesta linda noite de abril no Rio de Janeiro, mais propriamente no Vidigal, ficamos tímidos diante do olho cheio e gordo da Lua cheia. Parece que o imenso céu, ligou a luz e projetou sobre nós pela bola da lua. O Jan inspira-se para fazer poesia para nova e apaixonante namorada.
Eu vejo com olhares científicos: penso nas marés, vivendo as lambidas do mar sôbre os seios da amada do Vinícius na praia do Sheraton.
Em ambos o fim justifica os meios, é sem dúvida a prática das artes do amor.
Defende-se as “artes da guerra”, mas porque não tentarmos as artes do amor, inspirando-nos nas mensagens da Lua Cheia deste abril.
Jan em suas pinturas pode por uma bela lua, projetando-a pelas janelas, telhados e ruas, banhando os seus personagens sensuais e fugazes.
Podemos ser o Binóculo do olho do céu enluarado!
Jan, vá ser “gauche” na vida.
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2011.
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