segunda-feira, 4 de abril de 2011

TRIBOS SOCIAIS CIVILIZADAS


Plinio Sales

No mapa das atividades sociais de uma cidade, encontramos várias tribos ou cluster que a constituem.

No calçadão você encontra a população das horas. Se você é passageiro das 7, então vão passar por você o grupo que habitualmente anda ou corre. De vista são todos conhecidos. Individualmente, um ou outro se cumprimenta com aquele bom dia seco.

Então nessa classe existem os grupos dos horários. Lembro-me nos meus tempos de caminhante do calçadão de Copacabana na orla, no meu horário, eu encontrava sempre uma senhora elegante, caminhando com seus passos firmes e largos. Todos os dias vinha ela ao meu encontro, soberana, andando como se estivesse numa passarela, representando uma grife internacional. Nunca consegui saber seu nome, pois ela não dava abertura. No meu imáginario batizei-a de Maria da Praia ou Tereza do Mar, simbolizando seu porte elegante. Na verdade parecia mais com a Tereza de Sousa Campos, ainda viva e sustentávelmente professora da elegância.

Tem outras tribos mais penetrantes, chegando até a festas familiares: churrasco, batizados, casamentos e outras.

Refiro-me as amizades conquistadas na feira-livre do seu bairro. É o seu José da batatas, o Antônio do abacaxi, o Luiz da barraca dos peixes, e vários outros com o seu comércio. Todos anunciando, em alto brado, as vantagens dos seus produtos, acrescentando “está barato freguesa”.

E a turminha da praia, sempre nos mesmos lugares, próximos da barraca da Renata que já se tornou amiga de todos. Sempre traz lembranças de Aparecida, quando vai peregrinar uma vez por ano nas excursões da Lucia na estação Vidigal.

Dessa turminha sempre sai amizade e até casamentos, conforme o da Renatinha com o Geraldão e, hoje, já tem dois filhos. E os filhos frequentam a praia no grupo da barraca da Renata.

Tem as tribos dos donos, motoristas e cobradores de vans e a sua respectiva classe de passageiros. Tambem vale o grupo por hora. Você é das 6 ou das 7? Sou das 7, pego a van do Mineiro.

Muitas outras tribos poderiam ser classificadas. Eu me identifico como da tribo dos adoradores do Mar, procurando saber de onde vim e para onde vou.

Não uso tanga, nem tacape, apenas um cocar de branco.

Sou da tribo civilizada do asfalto do Vidigal.

Abraços e te vejo amanhã, no mesmo lugar.

Rio de Janeiro, 30 de março de 2011

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