Plinio Sales
Fico deitado na rede instalada na varanda do meu quintal, ouvindo o marulhar do mar. Há milhões de anos ele marulha aos meus ouvidos de 73 anos, que muitas vezes, nem o ouve, por estar concentrado em outros pensamentos.
Quem sabe ouvir o mar sabe segredos em ondas. As vezes os segredos vem da Europa, falando coisas do Berlusconi, quando as notícias é para os italianos. Traz também notícias da Espanha, refletindo batidas nos portos madrilenhos ou de Caiscais de Portugal.
Basta você colocar as mãos em concha nos ouvidos para escutar. Vem de longe o som, sem nitidez, aos poucos você começa a identificar vozes e com mais atenção sossurros: como se ouvisse águas subindo escada, batendo nos encaixes para emergir pra cima, passando para o próximo degrau superior: Bum... Bam... Et Bum !!! Se você harmonizar sai um samba.
Com a voz do mar.
Se o sudoeste chega, muda todo o ritmo, tornando-se agressivo, querendo varrer tudo, até as telhas do telhado. Os galhos das árvores se remelexam em ritmo acelerado, sob a batuta do vento que sobra revolta. Na revolta abraça todas as folhas que se soltam e junto com passaros esvoaçantes sobem, sobem e sobem, empurrando a tampa do efeito estufa no sótão do sol.
Até aqui tivemos a soma das forças-ondas do mar, as forças eólicas do vento, tudo sob os humores do sol e do som harmonioso de todos. Essas são as forças que em movimento ou em repouso se reunem para discutir a importância das energias renováveis.
A economia mundial baseia-se em recursos energéticos não renováveis, como carvão, o petróleo, o gás e o urânio, cuja utilização tem consequências catastróficas para o homem e para o ambiente.
A solução para enfrentar a acelerada extinção dos recursos do planeta é substitutir as energias não renováveis por outras que não se esgotam como a solar, a eólica e a do mar.
Num rigoroso exame do assunto, de forma científica ou empírica, pode se estabelecer, de forma apaixonada, uma mudança estratégica factível e defensável em que a formidável central térmica do cosmo poderia atender a todas as necessidades energéticas da humanidade por outros milhões de anos, mudando o caminho, abandonando as energias atômicas e fóssil, melhorando as condições no meio ambiente, que na verdade é inteiro, em favor da qualidade de vida da humanidade “per seculorum”.
O princípio fundamental da filosofia da vida é colocar o homem como patrão principal do processo evolutivo. A natureza e o seu uso é coadjuvante, mas, por Deus, o primeiro sobrepuja o segundo. Jamais escravizar a humanidade e dar maior liberdade a natureza.
O Ser é Deus e a natureza é uma matéria prima, colocada ao seu dispor, para ajudá-lo a viver.
Ser ou não ser eis a questão é a voz soturna do mar, desta silenciosa varanda do quintal da minha casa que fica no Vidigal. Né, Renata......!
Rio de Janeiro, 31 de março de 2011.
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