segunda-feira, 4 de abril de 2011

“MILLOR FERNANDES”

Plinio Sales

Desde a revista Cruzeiro eu leio e admiro o Millor Fernandes. Rara capacidade de lavrar bem no papel seus inteligentes pensamentos.

A qualidade de inteligente é conceito de cada um que emite essa revelação. E como eu sempre digo, as coisas são como nós achamos que são. Eu decreto o Millor um gênio. Gostaria de ser igual ele, nem melhor, prefiro ser menor, porém inteligente.

Começo a ler fábulas fabulosas.

Diz ele no preâmbulo:

“Muitas das fábulas aqui presentes já era velhas no banquete de Baltazar e ainda serão novas quando o Brasil for uma democracia. Não pretendem ensinar nada senão que a paz na terra independe de nossa boa vontade, que a vitória da vida vem mais de nossos defeitos do que de nossas qualidades, e que só no dia em que um industrial espirituoso chamar de fé às suas escavadeiras, a fé removera montanhas. Este é, em suma um livro como todos os outros – perfeitamente dispensável.

Mas seja tudo pela vontade de Alá – que é Deus – e de Maomé que, felizmente, não é seu único profeta.”

Quando se fala em fábulas, entra a imagem de animais contando histórias, com final de uma moral filosófica.

E assim com as fábulas de La Fontaine, o pai das fábulas.

Também já cometi as minhas fábulas em homenagem a minha neta Christiane 88, falando do Grilo Falante, que ela cuidava em Carandai. Vejam o poema que fiz a respeito:

O Grillo Falante

Em Carandaí,

que fica logo ali,

encontrei um grilo falante

muito elegante.

Falando na língua do Uái!

Disse-me: olá, como vai?

Procurei achar de onde a voz surgia,

e nada... Uái!

- Olhe no pé de couve, bem perto de você.

Pareço um trem e não me vê!

- Ah! Finalmente, também, verde no verde! Como vai? Olá!

- Vou te contar um segredo, quer saber? Sou um grilo e falo é mole?

- Pôxa, você vale uma fortuna. Vamos fazer negócio?

- Não, não posso sair daqui. Moro em Carandaí, sou vigia de trem.

- Mas, como vigiar trem? Pra quê e pra quem?

- Ora não sabes? Trabalho pra Pituquinha.

- E ela te paga vintém?

- Somente um beijo por mês.

- Oh! Mineirinha pão-dura!

- Vovô... Vovô... Acorde! Ta na hora de me levar pra escola!

Deixe meu grilo pra lá.

Ele é muito falante e

sempre se mete nos

nossos sonhos!

Paladino Torres de Almeida

E depois, dando continuidade, a série falei do fim do Grilo por total abandono da sua dona. Vai pagar pensão judicial por isso, que será bancada com pizzas pagas pelo “gordinho” de plantão. Por enquanto é ele: esse nojento.

Vejam o fim do Grilo:

O GRILO JÁ ERA

O grilo vinha, lá de longe,

Alegre e saltitante,

Enrolando as idéias para achar a Chrystiane

E matar as saudades distante.

O tempo rolou,

Em carandaí o trem ficou

E a Pituca também mudou.

Esqueceu o Grilo,

E pelo “sumô” trocou.

Agora, chama-se Cris,

Independente e fugaz,

Empurrando sua história na memória lá pra traz.

No passado,

Completo de estórias errantes.

Coitado do Grilo,

Saltitande e falante,

Já era.

Cuidado ! O sumô é fera.

Está presente,

Com tudo na frente.

Desista Grilo, a fila andou.

Encontre novo amor e não curta essa dor.

Morou!

Paladino Torres de Almeida

Não acho conveniente ninguém dar um gatinho a Chris, senão vai acabar na sarjeta como o Grilo.

As fábulas são fabulosas mas a do Grilo não teve fIm feliz.

Millor você é um Mestre, pois como diz é “Livre Pensar”!

Rio de Janeiro, 1° de abril de 2011.

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