Plinio Sales
Desde a revista Cruzeiro eu leio e admiro o Millor Fernandes. Rara capacidade de lavrar bem no papel seus inteligentes pensamentos.
A qualidade de inteligente é conceito de cada um que emite essa revelação. E como eu sempre digo, as coisas são como nós achamos que são. Eu decreto o Millor um gênio. Gostaria de ser igual ele, nem melhor, prefiro ser menor, porém inteligente.
Começo a ler fábulas fabulosas.
Diz ele no preâmbulo:
“Muitas das fábulas aqui presentes já era velhas no banquete de Baltazar e ainda serão novas quando o Brasil for uma democracia. Não pretendem ensinar nada senão que a paz na terra independe de nossa boa vontade, que a vitória da vida vem mais de nossos defeitos do que de nossas qualidades, e que só no dia em que um industrial espirituoso chamar de fé às suas escavadeiras, a fé removera montanhas. Este é, em suma um livro como todos os outros – perfeitamente dispensável.
Mas seja tudo pela vontade de Alá – que é Deus – e de Maomé que, felizmente, não é seu único profeta.”
Quando se fala em fábulas, entra a imagem de animais contando histórias, com final de uma moral filosófica.
E assim com as fábulas de La Fontaine, o pai das fábulas.
Também já cometi as minhas fábulas em homenagem a minha neta Christiane 88, falando do Grilo Falante, que ela cuidava em Carandai. Vejam o poema que fiz a respeito:
O Grillo Falante
Em Carandaí,
que fica logo ali,
encontrei um grilo falante
muito elegante.
Falando na língua do Uái!
Disse-me: olá, como vai?
Procurei achar de onde a voz surgia,
e nada... Uái!
- Olhe no pé de couve, bem perto de você.
Pareço um trem e não me vê!
- Ah! Finalmente, também, verde no verde! Como vai? Olá!
- Vou te contar um segredo, quer saber? Sou um grilo e falo é mole?
- Pôxa, você vale uma fortuna. Vamos fazer negócio?
- Não, não posso sair daqui. Moro em Carandaí, sou vigia de trem.
- Mas, como vigiar trem? Pra quê e pra quem?
- Ora não sabes? Trabalho pra Pituquinha.
- E ela te paga vintém?
- Somente um beijo por mês.
- Oh! Mineirinha pão-dura!
- Vovô... Vovô... Acorde! Ta na hora de me levar pra escola!
Deixe meu grilo pra lá.
Ele é muito falante e
sempre se mete nos
nossos sonhos!
Paladino Torres de Almeida
E depois, dando continuidade, a série falei do fim do Grilo por total abandono da sua dona. Vai pagar pensão judicial por isso, que será bancada com pizzas pagas pelo “gordinho” de plantão. Por enquanto é ele: esse nojento.
Vejam o fim do Grilo:
O GRILO JÁ ERA
O grilo vinha, lá de longe,
Alegre e saltitante,
Enrolando as idéias para achar a Chrystiane
E matar as saudades distante.
O tempo rolou,
Em carandaí o trem ficou
E a Pituca também mudou.
Esqueceu o Grilo,
E pelo “sumô” trocou.
Agora, chama-se Cris,
Independente e fugaz,
Empurrando sua história na memória lá pra traz.
No passado,
Completo de estórias errantes.
Coitado do Grilo,
Saltitande e falante,
Já era.
Cuidado ! O sumô é fera.
Está presente,
Com tudo na frente.
Desista Grilo, a fila andou.
Encontre novo amor e não curta essa dor.
Morou!
Paladino Torres de Almeida
Não acho conveniente ninguém dar um gatinho a Chris, senão vai acabar na sarjeta como o Grilo.
As fábulas são fabulosas mas a do Grilo não teve fIm feliz.
Millor você é um Mestre, pois como diz é “Livre Pensar”!
Rio de Janeiro, 1° de abril de 2011.
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