Plinio Sales
Sempre acontece isso. A soma das despesas é maior do que a receita. Por mais que estico não dá. Ainda falta incluir tanta coisa: o dentista, alguma roupa, o IPVA atrazado, o cabelo nem se fala e a viagem das meninas vai, como sempre, ficar pra depois. Elas já me chama, a boca pequena, o “Sr. Tomorrow”.
Tento com a aritimética dos algarismos arábicos, confiro com os romanos, tiro a prova dos nove, resta nada. As vezes me pego a perguntar: porque enfrentar tal problema, pois o tempo perdido poderia ser investido na procura da felicidade.
Gasta-se muito tempo e talento em organizar bobagens, coisas fúteis e sem utilidades.
Não há lógica em manter arquivos de coisas inservíveis ao uso ou ao uso das coisas. As coisas tem vida, origem e interesses. As coisas são obras de alguém que, ao fazê-las, empregou tempo e talento. Houve transferência de personalidades. Veja o que acontece com animais de estimação, eles se tornam a cara, os hábitos e o jeitão dos donos.
Ao economizar tempo no que devemos passar por cima, podemos separar tempo para fazer coisas que gerem receitas, como fazer bolos e doces para vender na vizinhança ou usar outra habilidade inata.
Com isso deixa também de gastar, por falta de tempo. Aumenta a receita e reduz a despesa, alterando sua relação custo/benefício para melhor.
Enganar contas é o mesmo que enganar-se a si mesmo. Vai pra debaixo do tapete, mas de repente volta pra cima da gente.
Contas não se engana, reduz-se ou elimina-se as despesas que lhe deram origem.
Bilac Vatcinava que o “dever acima de tudo”, mas o dever dele era patriótico, o nosso dever as Casar Bahia é rasteiro e mortal.
O nosso dever de casa é controlar as contas. Deixando-as abaixo da linha das receitas.
Rio de Janeiro, 15 de abril de 2011.
Nenhum comentário:
Postar um comentário