quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A CERTEZA DO ZÉ

Plinio Sales

O Zé é um dos meus personagens favoritos. Veio pequeno de Pernambuco, fez carreira em bares e restaurantes com vários patrões portugueses. Com eles aprendeu como gerenciar um bar e tratar bem os fregueses. Trata todo com carinho e por todos é considerado como amigo. Nunca o vi irritado, malcriado com algum freguês, apesar de servir notívagos, bêbados da madrugada, poetas, cantores e motoqueiros. Do cigarro a vareja, a pizzas, doses de 51, sorvetes e outras iguarias, vai atendendo os pedidos de uns e de outros.
Sempre que pode conta uma piada para os clientes que retribuem os seus repentes e seus trocadilhos. Se preocupa com dinheiro, mas não se escraviza dele.
Sua maior habilidade é contar piadas: de viados, de bêbados, de jegues, de portugueses e estórias do cotidiano da sua vida de viajante de bares.
Ele contou que, em certa ocasião, lá pelas dez da noite, um bando de assaltantes invadiu o bar, onde trabalhava na zona sul do Rio de Janeiro, e colocaram todos os fregueses no banheiro da casa. Enquanto o bar ia sendo assaltado, retirando o dinheiro do caixa, um dos clientes presos, botou a cabeça pra fora do banheiro e gritou, bem alto: Senhores ladrões, por favor rasguem os vales, rasguem os vales. Estão nas gavetas! E assim foi feito, os ladrões rasgaram os vales para alegria dos fregueses!
Então o Zé do Sindicato do Vidigal é o personagem favorito na Pastoral das Madrugadas.
O Zé é muito tranquilo e não dá margem ao azar. Está sempre atento para só chegar em casa depois das cinco horas da manhã. Ele relata que, a partir dessa, tem certeza absoluta, de que o namorado da mulher deve já tinha ido embora e não haveria risco de controntá-lo.Muitas estórias se poderiam contar do Zé, mas o mais importante é ir ao sindicato, no seu horário de trabalho, e procurar conversar com ele.
Será uma boa conversa!

Rio de Janeiro, 24 de agosto de 2011

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