quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O TEMPO E A ECONOMIA BRASILEIRA

(O TEMPO ESTÁ PARADO)
Plinio Sales

Só os orientais tem paciência para comparar dois mosquitos copulando, em camas em diferentes pontos do tempo: um no século XV e outro no século XXI e escrever uma tese de mestrado a respeito e provar que “nada muda secularmente na cópula do mosquito”.
“Mutatis Mutandis” comparem os informes da entrevista do Mantega, no começo da primavera de 2011, e com a entrevista do Tancredo Neves, como ministro do Getúlio Vargas. Peça comentários ao Ministro da Fazenda da época, não lembro se era o Moreira Salles. Parecem com a conclusão do Japona sobre a cópula do mosquito imperial: nada mudou!
Mudou sim. Mudou a economia real. Agora a matriz produtiva é outra, a matriz tecnológica é outra, a matriz consumidora é outra e o conjunto de crimes ambientais são outros. Só as lições e os manuais das escolas de economia não mudaram.
É preciso compreender que as decisões de fazer alguma coisa, parte do agente-átomo, lá nos cafundós dos mapas do Google. O somatório de milhões ou trilhões é que fazem a dança do PIB. Ou o PIB vai de funk ou vai de valsa vienense. Não são os índices das fundações, nem as análises econométricas do Mailson ou do Delfim ou da Conceição que atuam no samba do PIB.
A raiz é a motivação do povo. É o estímulo que ele sente ao chegar em casa e ouve a expressão: “bonito hein?”. É inútil aumentar o IOF, se a taxa de juros permanece alta. A taxa de juros está alta, porque o Coupon decidiu combater a inflação com taxas de juros altas, esquecendo que a taxa de juros joga numa equipe e que existe o efeito garrincha: “já combinou com os homis?”.
Os homis é o povo! Será que ainda não viram isso! Quer menos inflação, precisamos aumentar a produção. É só falar com o povo que ele aumenta o quanto preciso for. Lembro o caso de uma fiscal do Banco do Brasil, lá em Curuangi, pequena cidade de Pernambuco, conversando com o matuto-fazendeiro e com o maior aprendiz do Mantega, comenta: “É nesta terra se plantando tudo dá!” E o sábio e curtido matuto, do alto das suas terras, comenta: “A senhora tem razão, se prantar dá, mas só se prantar!”.
Agora vem os professores, nunca vi tantos dando entrevistas, poucos nas salas de aulas, falando dos movimentos da bolsa do mundo inteiro, das taxas de câmbio; dos superávits nominais e dos reais: ninguém fala? São tantas as falácias que fariam os filósofos gregos dispararem em direção ao sol, gritando eureca!
É melhor perguntar ao caboclo de mãos calejadas, pais de ministros, se pode me ensinar como plantar batatas!

Rio de Janeiro, 30 de agosto de 2011

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