quarta-feira, 21 de setembro de 2011

TSUNAMIS SOCIAIS DAS PLACAS SUBTERRÂNEAS

Plinio Sales

Os fenômenos sociais que provocam revoluções, evoluem de forma lenta e vão esquentando progressivamente até que alastram por todas as veias, horizontalmente, contaminando os vizinhos e os vizinhos dos vizinhos. De repente a onda se alastra derrubando tudo sem controle. Esse processo pode durar anos e anos, ficar contido num bairro, alastra-se por cidades, atravessar fronteiras e invadir países. Foi assim a inconfidência mineira, a proclamação da república, a revolução de 30, o golpe militar e a diretas já, para falar do Brasil.
Podemos passear pela América do Sul, olhando a caminhada de Bolivar, dar um pulo na América Central e vestir a farda de Fidel, que ainda não aprendeu com a história; vai cair nos próximos anos: já está maduro. Se desviarmos pela Europa, podemos citar a Revolução dos Cravos, a queda do Franco, aqueles fenômenos dos eslovacos, recentemente do Iraque, Egito e vem aí a Líbia, Síria e outros vizinhos. É a onda social do Tsunami, gerado nas placas subterrâneas esquentadas no decorrer da história. É inexorável. As mesmas conseqüências eram atingir as ditaduras parlamentares e as partidárias. É um ledo engano pretender controlar por muito tempo as vontades sociais. Hoje, pode chegar a 25 anos, mas além disso é temerário. É só consultar a história.
Lincoln, sabiamente já ensinava que ninguém pode querer enganar a todos, durante todo o tempo.
Um bom livro, que nos ensina sobre essas evoluções e revoluções, é o do historiador Arnold Toinbee no seu competente “História Contemporânea das Civilizações”. Vale a pena ler, sem se radicalizar com a perspectiva do passado.
O mesmo fenômeno vai atingir livros religiosos, utilizados para justificar suicídios, mortes e vinditas.
O próprio mal se converte em bem, é a força invisível de Deus, que escreve certo por linhas tortas. O Messias jamais virá, ele já veio: o Messias somos nós. Precisamos apenas nos aperfeiçoar. Tudo que vemos faz parte do processo de aperfeiçoamento, propagado pela superior ordem do Universo, pregada pelo grande arquiteto. Os olhos dos críticos vão ver, mas só para aqueles que vivem mais de 2 gerações.
Ainda vou ver vários tsunamis sociais, mas sem ver acabar com as fábricas de armas, sem ver acabar a fome e a miséria, tão absurdas diante do desperdício de sagras agrícolas em todo o mundo. Só o Brasil teria condições de acabar com a fome do mundo, basta redistribuir melhor as riquezas das nações. Lembrem-se o Messias está dentro de nós mesmos, na inocência das crianças que nascem todos os dias.
Abramos os olhos para os tsunamis sociais das placas subterrâneas.

Rio de Janeiro, 23 de agosto de 2011

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