Plinio Sales
É difícil fugir de uma decisão entre fazer o bem ou fazer o mal. A todo instante temos que enfrentar a questão. Na família, na comunidade ou no país. Modernamente, para atravessar a rua, prestamos atenção aos sinais luminosos, equipados com contemporizador: aqueles onde o verde vai aumentando e o vermelho vai diminuindo, dando tempo a você para acelerar os seus passos, controlando o tempo de travessia.
Na indicação do bem e do mal, também haver um contemporizador, informando menos bem, mais mal, indo do zero ao máximo.
Diante da atitude se olharia ao sinal pra ver se faríamos pouco mal ou muito bem. E, em cima disso, decidir o que fazer.
Com esses sinais indicadores, seria bem mais fácil reduzir a área do mal e aumentar a do bem.
Se atribui a Deus todo o bem do mundo e ao Diabo todo o mal do mundo. Esse raciocínio perde em lógica equilibrada e é muito maniqueísta: é esquerda ou é direita! Onde estão o marrom, o cinza, o bege e outras tonalidades intermediárias.
Porque não inverter a questão, fazendo só o bem, com o apoio de Deus e afastar todos os atos na zona do mal, acendendo velas pretas ao diabo.
Diante de um pedido de esmola, dê a esmola se puder. Porque ficar questionando a razão do pedido da esmola. Em certa ocasião, o grande cantor Francisco Alves, o Rei da voz, na saída da porta da Rádio Nacional, na Praça Mauá, meio contrariado com alguns compositores, negou uma esmola a um pedinte que ali estendia a mão. Andou um pouco, pediu ao filho Iran que esperasse um pouco, voltou ao pedinte e puxou do bolso uma nota de 100,00 e deu ao surpreso e agradecido mendigo. Foi o sinal – mais bem – que funcionou. Evitou ficar amargurado o tempo todo.
Muitos males são psicossomáticos ocasionados por remorsos por bem não praticados na hora certa. Proponho que se adote o princípio de que “quem sabe faz a hora, quem não sabe, espera acontecer”.
Planeje diariamente praticar o bem, nem que seja dar bom dia, doar sangue, atravessar um cego no sinal, bater um papo com as flores ou fazer como o Rurru faz: abraçar a árvore!
Você pode não saber o que está fazendo, mas o afagado sabe, sente e agradece.
Dar bom dia ao sol, toda manhã, pode não ser nada, mas o seu sol interior vai lhe aquecer com absoluta certeza.
Vale à pena se comportar com sinais do bem e do mal, tentando chegar ao mal zero.
Rio de Janeiro, 26 de agosto de 2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário