Plinio Sales
Está difícil identificar onde existem razões e bom senso nessas discussões políticas, econômicas e monetárias que dominam os meios televisivos e dos jornais de todo o mundo. Lembra história da Torre de Babel, tantas opiniões divergentes e as convergentes não esclarecem nada e uma choldra de repetições de mesmices. Todos os conselheiros estudaram nas mesmas escolas, leram as mesmas notas: juros, rating, crescimento do PIB, taxa cambial, índices e bolsas. É um novo mundo. Irreal e virtual pra viver nesse mundo é preciso treinar um “ciborg”, formado nas escolas que vendem diplomas de MBAs.
Em nenhum momento você vê um entrevistado que fale com a realidade do campo, a realidade das universidades, a realidade das Embrapas, a realidade das pesquisas científicas e o registro de patentes, até o número de casamentos, a quantidade de concursos públicos. E o que chamo de locutores da realidade.
Se acrescenta um exército de analistas de bolsas de todos os tipos, ensinando como todos devem se comportar a curto e a longo prazo, mas não se responsabilizam pelos fracassos. Isto é se os fatos não concordam comigo, pior para os fatos.
Precisam ligar o movimento das ondas da superfície, com os movimentos dinâmicos que estão circulando no pré-sal: 5.000 a 10.000 metros abaixo da superfície. É como olhar pra floresta e não identificar as árvores, as pequenas culturas e a fauna que lá existem, e a presença dos lavradores e outros trabalhadores que vivem naquela floresta.
Então o falatório geral dos pseudos sábios abordam tudo o que vê na superfície e nada na profundidade. E quando aparece um tsunami, ficam surpresos sem reação e continuam falando no centro da meta. É como dizia o Brizolla, tantos elefantes costeando o alambrado e ninguém vê!
Estão chutando a realidade, esnobando a natureza e seus fatores, e colocando no lugar moedas fictícias, desligadas da decisão humana. São ciborgs com vida própria, e o pior, querendo reger a orquestra de Deus.
É preciso se retirar e navegar em Porto Seguro, lá em Porto Seguro, escrevendo nova carta e encaminhá-la via Internet para o cara Obama.
Rio de Janeiro, 12 de agosto de 2011
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