Plinio Sales
Chega a ser monótono, diante de um auditório ávido de novos conhecimentos, encontrarmos oradores complicados, incapazes de chegar a definir o tema da palestra nas primeiras palavras, como a minha velha e encantadora professora de Frances que se anunciava: “mes enfants ‘ajourd’ hui nous avons parlait sur -------“ E dizia do que se tratava.
Há oradores treinados, como o Lula, que inicia a palestra contando uma piada hilariante, pra abrir as reservas da platéia. Geralmente são bem sucedidos. Em todos os cursos superiores de formação profissional, deveria ser obrigado ter um curso de oratória com impostação de voz, comandado por um bom fonoaudiólogo, principalmente nos cursos de direito, preparatórios de advogados.
A palestra, a exposição, a aula ou qualquer outra forma de “speech” deveria ser proferida da forma mais simples possível, como ensinava Rui Barbosa (nem tanto), Machado de Assis e Carlos Lacerda, brilhante tribuno.
Cada frase só deve conter o verbo. O resto é acessório, já dizia o velho ranzinza português José Saramago, ora pois! Evitar frases negativas e só usar o não se inexistir uma forte razão.
É simplificar o simples. O menos simples é o zero. Diz tudo. O conjunto está vazio e você entende. O zero foi uma das maiores invenções dos árabes. A do português no Brasil foi a mulata. Quer coisa mais simples do que a mulata!
O inglês, com toda sua fleugma e origem pirata, não se deu bem ao tentar colonizar e civilizar a Índia. Encastou-se e quis ensinar o “cricket”, o golfe, o pólo e outros chás. O chá pegou, mas fugiu pacificamente com inteligência, vencido pelo velho e andrajoso Ghandi. Porque não deu certo. É simples, porque não leu o livro “Artes da Guerra” do outro sábio velho chinês o Charles Tang – Cat que dizia: “Seja simples acima de tudo e cochecerás seu inimigo.” O Obama simplifica mais ainda: You can!
É o único verbo You can!
Rio de Janeiro, 17 de agosto de 2011
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