Plinio Sales
No tempo da minha avó, lá em Alagoas, às margens do Rio São Francisco, pescando piabas, eu ouvia com muita admiração os preparativos para receber seu Bispo, autoridade respeitável da Igreja Católica. Todos os nossos vizinhos, nossas tias Carolas, aguardavam ansiosamente os eventos organizados pelo Senhor Padre, estimulando a fé em Cristo e ordenação dos lazeres, onde os rapazes e as moçoilas se encontravam, para trocar conhecimentos e confidencias. Funcionava como o grande Facebook, ou Orkut de hoje em dia, com mais simplicidade e inocência. “Há! Que saudades dos meus 8 anos, cujo tempo não volta mais.”
Hoje, ao se passear por ruas de qualquer bairro, ou em programas de televisão, descobre-se uma variedade de grandes igrejas: Primeira Igreja Batista do Vidigal, Igreja Renovada Batista do Catumbi, Protestantes, Cristãs Diversas, Universal, Nossa Senhora das Graças e, em cada igreja, encontramos pastores, bispos e reverendos. Criou-se uma nova classe remunerada. Pelo que pude ver, em minhas pesquisas, muitos se sabem ler, interpretam a Bíblia erradamente. O outro lado da moeda é a presença cada vez menor de crentes nas sessões dominicais. A média está em torno de 20 a 30 crentes por oração dominical.
Com crescimento dessas religiões diversificadas, de todas as categorias, o público da igreja católica decresceu 50% nos últimos 10 anos. Está entrando no mercado a missa televisiva e, às vezes quase todos os dias, estão penetrando nos crentes, principalmente aqueles com idade superior a 50 anos.
Aos psicólogos a palavra para explicar esse fenômeno de multiplicação de igrejas, como se fossem pães.
Permeando as atividades dessas igrejas, trabalhando com a fé dos crentes ou descrentes, existe a contribuição financeira, hoje satanizando o dízimo, propiciando piadas como o de jogar arrecadação pro alto e o que Deus pegar é dele.
Não vejo nada negativo em receber contribuições financeiras, pois as igrejas têm custos, como qualquer empresa, e ainda tem os salários dos servidores.
O importante é medir os benefícios levados ao crentes-fregueses. Tem igreja com marketing para curar vícios, casamentos desfeitos, grandes negócios, diabos fora e outras mágicas. Muita propaganda enganosa, mas nem tudo é mal. Há aquelas que tratam bem dos velhinhos, como O Lar de Abraão – Abrigo para Idosos no Catumbi, asilo dirigido pela Pastora Mirzi da Igreja Batista Renovada Independente, com longa lista de serviços prestados aos seus fregueses.
As escolas de marketing, o SEBRAE e outras universidades de ensino de administração, precisam criar a cadeira de Administração de Igrejas. É muito importante, o Josué da Kronex está lançando um IP-comunicador que ligará todos os crentes de uma seita, interligando-os para receber comunicações dos seus pastores, bispos e reverendos, transformando a missa para todos em tempo real a custo quase zero. A missa virá pelo celular. Essa revolução deveremos agradecer ao Collor e ao FHC que modernizaram e privatizaram o setor da telefonia.
Onde está a sua igreja? Você freqüenta e colabora como voluntário, ajudando os velhinhos, os eventos, os bazares. Você paga o seu dízimo ou está no Serasa da IURD.
Com a palavra o Ministro Pedro Capp e a oposição do Carlos Alberto Santos.
Rio de Janeiro, 02 de setembro de 2011
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