quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O JÂNIO ESTAVA CERTO!

Plinio Sales

A confusão política brasileira é tão grande que chego a duvidar da capacidade de Deus ajudar. O Jânio talvez tenha jogado a carta errada. Perdeu! O povo perdeu mais e como diz o Marcelo, sobre a virtude do corno, perdeu muito mais e a longo prazo.
O mar revolto das confusões tem muitas ondas, com movimentos diferentes. A todo instante bate nova onda. E o pior é que se delega aos mais incompetentes para surfá-las.
Tem a onda dos royalties do petróleo num confronto de um por todos e todos por um, com 650 parlamentares para chegar ao consenso. Ora se já é difícil chegar ao consenso em nossa casa, preferindo dizer sim senhora sempre. Chega nos dar saudades a ditadura.
É simples a solução: avalie o valor do patrimônio público brasileiro, transforme em LTN e distribua aos 200 milhões de brasileiros. Cada um receberá US$ 12,0 milhões e se acaba com a miséria, a pobreza, a fome e a guerra dos royalties do petróleo.
Tem a onda da taxa de juros, coupon, milhões de analistas pra quê? Pra nada! É a mesmice. É fácil resolver, é só o governo não se meter. Deixe a taxa de juros por conta do povo. O tal mercado vai regular tudo. Se o governo meter a colher não dará certo, é como polícia invadindo favela: só dá bala perdida.
Tem a onda da taxa de cambio, tentando surfá-la com atitudes quixotescas do Mantega, enfrentando moinho de vento. É fácil a solução, basta descolar o real das moedas estrangeiras, deixar a taxa de juros livre e criar uma zona livre de moedas estrangeiras, operada pelo Armínio Fraga.
Tem a onde do salário mínimo, com pelejas, todos os anos, na mesma época com os mesmos pelegos e demagogos. É fácil resolver, mude o foco da questão de salário mínimo para salário máximo. Fixemos o salário máximo em dividir o valor do PIB do ano anterior, pelo número de pessoas (população) do ano seguinte (PIBt-1/Popt+1) e se obtêm o salário máximo. A partir desse número os empregadores, os empregados, os sindicatos e os outros interessados, negociem as reduções por estado, categoria profissional etc. Faz-se uma tabela indicando os descontos por profissão. Por exemplo:
·        Engenheiro – PIB – menos 50%
·        Marceneiros – PIB – menos 80%
E assim por diante. Cada diferencial de desconto se transforma na poupança bruta nacional: na filosofia do que não se gasta, se poupa. (Ver Keynes, folha 374, linha 12)
Então insisto o Jânio tinha razão, neste grande circo eu não quero ser ator. Né seu Shakespeare. Eu posso ser ator, mas não sou palhaço.

Rio de Janeiro, 01 de setembro de 2011

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