Plinio Sales
Ao se virar, vem o petardo no rosto. É a bola da rapaziada na praia. Passeando, olhando vitrínes, sob seus pés, de repente, explode o bueiro da Light. Olha que só em Copacabana se tem 3.000 bueiros. São potenciais granadas inocentes aos seus pés.
É o perigo por todo o lado. O trânsito maluco, o ônibus com freio defeituoso, o escapamento do botijão de gás, só pra falar em coisas pequenas.
Se pensarmos que a própria terra, onde vivem 180 milhões de pessoas, esquecendo-se das árvores e dos animais, é uma verdadeira e gigantesca bomba de alta explosão. Sob a camada fina da terra, estão cobertos mais de 5.000 vulcões, adormecidos ou em atividades, se todos resolvem fazer um movimento de revolta e explodirem ao mesmo tempo, o mundo viraria um grande mar de lama. Todos, absolutamente todos, ficaríamos petrificados.
Esse perigos, produzidos pela natureza são imbatíveis. Lembre-se do Vesúvio, destruindo Pompéia, e outros devastadores. Somente uma vez, uma pequena ilha de pescadores, na baixada da Islândia, conseguiu jogar bilhões de litros de água gelada contra um mar de lama quente que descia do vulcão, conseguiu deter a enxurrada e transformá-la em rocha ignea.
Os grandes furacões, os tsunamis, os ciclones e as volumosas enchentes são perigos que surgem quando menos se espera. São perigos mortais. Frutos dos efeitos da variação da energia solar ou do movimento das placas tectônicas, das quais nunca se tinha ouvido falar.
Voltemos aos perigos do dia a dia. Do remédio vencido. Do erro cirúrgico acidental. E, por último da bala perdida.
É difícil esconder-se, sabemos que o perigo está em todos os lugares, até na mochila da Pituquinha, onde ela carrega seu escorpião de estimação, defendendo o dinheiro que jamais vai pegar pra pequenas despesas fora do orçamento.
De onde vem o perigo, vem da mochila da Pituquinha.
Rio de Janeiro, 27 de junho de 2011