Plinio Sales
Há poucos dias minha conterrânea mineira, lá de Formiga, estava comemorando 118 anos. Todos em volta felizes, por cantar parabéns para vó Nadir, a mulher mais velha do Brasil. Duas semanas depois, saiu a noitícia que ela morreu. Seria bom saber como foi gozado os útlimos 14 dias de vida dessa resistente e idosa senhora. Como dormia, quem a levava ao banheiro, o que comia, quem cuidava da sua pensão, como trocavam e lavavam suas roupas. Em resumo qual era a sua qualidade de vida e seus reflexos na família. Era apenas uma peça publicitária da qual teria nenhum proveito.
Em contrapartida, participei do aniversário de 20 anos da minha neta: a Tuquinha. Quantos preparativos: medir orçamento e adesões, planejar cardápio, coordenar os jovens colegas que farão o almoço, quem convidar e o que cada um trazer. Muitos preparativos para o evento, sim porque virou um evento.
Quem faz 20 anos tem mais 100 para alcançar a D. Nadir que morreu sorrindo aos 120 lá em Formiga. Nesse mesmo espaço de tempo a vó Nadir passou da juventude, formou-se professora, tornou-se famosa cozinheira, foi mãe, tia e avó adorada. Gerou 6 filhos, contabilizou 12 netos, 4 bisnetos e 2 tataranetos. Viveu 100 outros aniversários, com bolos e a mesma canção dos parabéns. E, ainda mais, morreu pitando um cigarrinho, condenado por toda a família, mas o que fazer: vai morrer mesmo.
Vira o foco e voltamos ao aniversário da Tuquinha com muitas amigas, todas jovens e cheias de sonhos na cabeça. Se tiver algum plano é para a próxima semana. Estão na fase de estudar, procurando mostrar aos pais que serão melhores do que eles. Serão? Só Deus sabe. Mas imaginem o que elas vão ver, passar e fazer nos próximos 100 anos, porque se a vó Nadir viveu, apesar de fumar, elas viverão mais 120 anos, pois a média de vida aumenta 20 anos em cada 100 anos. Nesse período acabaremos com todas as doenças, deixaremos de fazer cirurgias, os dentes serão implantados, a bunda, os peitos, as faces serão trocadas por novas ciborgtecnologias.
Portanto meninos e meninas dos 20 anos, procurem examinar o que fazer nas pegadas que vem à frente.
Eu estarei presente para ver e registrar os próximos 27 anos e vou participar, como chorar também, de muitos eventos, sem a companhia do amigo Murphy.
Rio de Janeiro, 26 de junho de 2011
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