terça-feira, 14 de junho de 2011

A IMPORTÂNCIA DO FALSO BRILHANTE

Plinio Sales

Quando um executivo, privado ou público, apresenta dificuldades para dialogar sobre qualquer coisa é porque não entende do assunto, está inseguro, não sabe responder. Outra atitude de arrogância é também uma forma de defesa da incompetência.

Quem sabe explica claramente, com simplicidade, sem arrogância, demonstra domínio da questão. O vou ver, depois respondo. Pode esquecer, procure outro , pois o tema vai empacar.

Os processos, em que o autor escreve mais de duas folhas, são cansativos e enrolam. Os juízes não lêem, a não ser o autor for figura renomada, tal como o ex-ministro Sepúlveda Pertence. O sucesso do vendedor está nos seus 30 segundos iniciais, senão não haverá venda. Se é preciso usar muitas palavras para contar o que a coisa é, perde o tempo. Meu pai, lá em Alagoas, dizia que quem fala demais, acaba dando bom dia a cavalo.

Outro hábito de executivos pouco eficientes, nada eficazes, é o número de reuniões que faz ou participa. Se você ligar e a secretária diz? Ele está em reunião, retorna depois, pode esquecer é fraco não resolve nada. Se mede o índice de incapacidade de um executivo, pelo número de reuniões em que participa ou pela quantidade de papéis encima da mesa. O Gen. Geisel, tinha por hábito, atender suas visitas de pé e só lia as duas primeiras folhas e a última de um processo. Se a boa defesa passasse disso, iria para o arquivo. E se fosse uma tentativa de passar o Estado pra traz, ele rasgava o processo na frente do solicitante.

Nas primeiras palavras de um entrevistado, já se apura tudo. O Rafael de Almeida Magalhães, o Rafa brilhante de boa memória, mantinha na boca um cigarro apagado, aquele que se apressava para oferecer um isqueiro, estava derrotado de pleno: O Rafa não fumava.

Outra prática deseducada é orientar a secretária para perguntar: Quem quer falar? Demonstram ser desconhecido e pouco importante. A outra é só atender com hora marcada. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

Secretária Eletrônica é um erro e de uso primitivo.

É preciso ser natural, espontâneo, fale simples e sempre fale com os pobres, sem discriminar ninguém por causa da cor da pele ou de suas preferências sexuais.

Evite ser o falso brilhante. Já era!


Rio de Janeiro, 06 de junho de 2011

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