quinta-feira, 16 de junho de 2011

MUDANÇAS DE PERSONALIDADES, SEM INCORPORAÇÃO

Plinio Sales

É injustificável evitar conhecer alguma coisa por radicalismo de qualquer espécie. É como o crítico que diz: não li e não gostei. Como por exemplo pessoal eu tenho ojeriza em falar ou escrever a palavra não. A qualquer consulta já digo sim, depois vamos ver no que dá.

Lembro-me que numa prova de classificação no disputado colégio público – Pedro II – no Rio de Janeiro, lá pelos idos de 1955, enfrentei uma questão de uma prova de português que pedia para dissertar sobre o seguinte tema: “Quão amarga é a palavra não”.

Senti-me emparedado, sem qualquer idéia. Apenas que não gostava do não, e o tema estava certo. Então, resolvi, escrevendo na página inteira a palavra sim, com o comentário final, bem grafado, dizendo é melhor do que a amarga não. Lógico que passei. O revisor concordou comigo.

Paralelamente, vejo pessoas, até bem formadas serem sempre contra por princípios. Nega que se fale mal de Jesus por ser cristã. Nega o adultério, falar jamais, por ser bem casada. Falar bem do Lula, nem pensar. Defino como falta de personalidade do autor. Precisa proteger as suas cláusulas pétreas, senão poderá ceder. Se os fatos não concordam com elas, pior para os fatos.

Há outras pessoas que se negam a dar sustentabilidade a sua personalidade natural, que funciona, quando acorda, até tomar a primeira jarra de cerveja. Aqueles copos, pode ser de qualquer, se torna o combustível para incorporar outra personalidade. No terreiro é a força da mente treinada, que abre a incorporação do Pai Joaquim da Guiné ou de otro preto velho.

No bar quem abre é a bebida, tão condenada por D. Iolanda, um dos meus personagens mais queridos.

As incorporações alcoólicas são valentes, irreverentes, donas das verdades, censoras plenas e, acima de tudo, chatas. Conheço várias das quais fujo.

O Caetano afirma em bom tom, que de perto ninguém é normal. Dá como exemplo o Zeca Pagodinho, o atleta da Brahma.

Sublinhamos vários estados das personalidades, das radicais as mais volúveis, confirmando que de perto, com bebidas, ninguém é normal.


Rio de Janeiro, 16 de junho de 2011

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