sexta-feira, 24 de junho de 2011

O PRIMEIRO MILHÃO DE DÓLLARES

Plinio Sales

Sonhar é a forma de deixar a vida nos levar com imensas esperanças. A partir da idade de conhecer a si mesmo, começa prática permanente do sonho. Sonha-se acordado, olhando pro nada; sonha-se dormindo e geralmente sonha-se sorrindo.

Em minha longa vivência no mercado de capital, e põe longa nisso, desde 1964 até hoje, atuando de muitas maneiras e até de consultor de tributos e finanças, eu e muitos companheiros colocamos um retrato na parede, para o qual nos benzia ao chegar ao escritório: era o retrato de uma nota de “Hum Milhão de Dólares”. Era a nossa folhinha de mulher nua, que encontramos em toda oficina mecânica e nos borracheiros.

A nota existe no meio interbancário americano, sem circular no público. Se você consegue ganhar, honestamente se possível, hum milhão de dólares, passa ter direito a uma capa do Times. Hoje os milionários se transformaram em bilionários. Até no Brasil já temos mais de mil bilionários contra 179 milhões de proletários. Precisamos mudar, senão teremos nova revolução do proletariado ou vámos ver outro idealista barbudo descer de uma Sierra Maestra-Brasileira. Aliás cabe perguntar porque todo revolucionário, aparece de barba grande, suja e fedorenta. É o “fashion” do revolucionário.

Voltemos ao million de dólares. Aquela nota era o nosso motor diário. Se fazia mil peripécias para pô-la na carteira, como status do progresso. Inventamos o “open market” o “day trade”, as “comodities”, o mercado futuro, as opções e outros bichos cabeludos. Muitos operadores foram estudar em Stanford, Harvard, Whartton, Cambridge para aprender a usar a máquina sensação a hoje famosa e difundida HP-22. No meu tempo, o charme era carregar uma régua logarítimica de cálculos. Impressionava aos nossos pais e as garotas.

Tudo para pegar e ficar com uma nota de milhão de dólares. O marketing americano é imbatível. Lançaram uma série de notas de “Million de Dóllares Bill” para servir de talismã no mercado financeiro. Foi um sucesso de vendas. Era o clone perfeito do original. Emitida pela American Bank Note, naturalmente sem valor de moeda, porém idêntica, inclusive o papel da impressão.

Cheguei a comprar umas mil e dava de presente aos amigos e clientes, mas ninguém nunca ficou milionário por causa disso.

Agora, vejo a minha filha Babi, tecnóloga de TI,tentando via o mercado de comodities, fazer o seu milhão de dólares. Antes que quebre, estou aconselhando a falar com o Dudu Penn para fornecer uma nota de “one Million Dóllares Bill” para aquecer suas esperanças de ser milionária.

E assim podemos fazer o nosso primeiro hum milhão de dólares. Pra quê, Pra nada!


Rio de Janeiro, 24 de junho de 2011

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