Plinio Sales
Nas comunidades compostas de várias tribos, assim classificados, para diferenciar os Zés dos Manés, se extrai comportamentos interessantes.
São Zés os mais espertos e bem antenados com os acontecimentos. Eles são os maiores ficantes e os escolhidos pelas minas talentosas e mais avançadas do lugar. Vão as baladas, bebem bebidas condenadas, fumam a varejo e as calças jeans estão um pouco descidas, pagando calcinha.
Já os Manés estão sempre procurando se enturmar, pagando pedágio para jogar bola com a turma dos Zés e prestar serviços primários e promover as irmãs ou primas talentosas, para ganhar concessões dos Zés.
Mané é Mané e Zé é Zé. Pertencem a tribos diferentes. Na Índia os que são de uma casta se torna incomunicável para outra casta, superior ou mesmo paralela. Também vigora essa lei nas tribos dos Manés e na dos Zés.
Essa regra de comportamento vigora até 16 a 18 anos. Depois os Zés e Manés se tornam líderes comunitários, disputando, entre si, a presidência da Associação dos Moradores, tentando subir mais uma classe social. Superior na comunidade. Eles sobem e descem com a mesma facilidade. Faltam capacitação profissional e educação acima do 1º grau. Vão desaparecer nas rodas dos botequins, com piadinhas, tomando chopes e atirando pegadinhas para as garotas que passam com remelexos para atrair a atenção dos Zés e dos Manés.
É um futuro nublado, longe das universidades, fora dos melhores empregos, disputando as bolsas famílias e, todos, sem excessão, votando no PT.
O que fazer para mudar esse quadro social da baixa renda. Não há fórmula mágica, por que como diz o Dicró: Mané é Mané e José é José.
E agora José, a balada acabou, a cerveja secou e as minas sumiram. E agora José!
Rio de Janeiro, 03 de junho de 2011
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