Plinio Sales
A arte do equilíbrio é uma virtude dos grandes líderes. Se desarmoniza o castelo de cartas cai. No caso do comando político de uma nação, é muito difícil de se conseguir. Apenas uma carta está manchada, a pressão dos interesses vem numa onda forte. Temos os exemplos do Janio Quadros, do Fernando Collor(incidente?) e outros na história da República que não vivi. E o povo, cá em baixo, o que diz dessa dança de cadeiras, para a qual não foi convidado e nem é ouvido.
A arte do equilíbrio é um privilégio dos bêbados, como cantava Ellis Regina. Embora tonéis de líquidos sejam servidos em Brasília, estimado em 2.000 litros por dia, é insano afirmar que a bebedeira seja geral. Há bispos, clérigos, pastores e senhoras que não partilham dessa elegante confraria do povo.
E o povo onde está, depois que aperta os botões das urnas eletrônicas. Esse sim, são os verdadeira equilibristas que esquecem em quem votou e não cobra nada. Chega a Bolsa Família e agora a Bolsa Miséria. Triste do povo que vive de bolsas e quotas: todas recicláveis.
A harmonia, o equilíbrio e o interesse público devem andar junto com vistas a melhorar a qualidade de vida da sociedade que representa.
Um lider que não lidera, vai certamente naufragar. São 180 milhões de cabeças pensantes, embora grandes grupos sejam fáceis de seduzir, com promessas vãs e espelhinhos e colares como fez a comitiva de Cabral pra seduzir os índios. A história não pode se repetir, se não houver ganho social. Certamente poderá valer o ditado de Lincoln, o Abraham, de que não se pode enganar a todos a todo tempo. Vai haver um ponto de ruptura, quando a fadiga do povo chegar. As novas e requentada migalhas serão inúteis. Será precisa um pouco de imaginação: o patrimônio público é do povo, da geração atual e da futura, distribua-o a eles, antes que seja um inventário de um país morto.
É preciso ser equilibrista sem ser bêbado.
Rio de Janeiro, 01 de junho de 2011
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