segunda-feira, 27 de junho de 2011

AS JOVENS BALADEIRAS

Plinio Sales

Ao observar os movimentos da juventude nas madrugadas das comunidades como a Rocinha e o Vidigal, se vê um bando de jovens saindo das baladas, como são conhecidos os encontros dançantes ou rebolativos da juventude nas noites de sexta, sabádos e domingos. E a maioria é de mulheres, ou jovens travestidas de mulheres, mostrando quase todos os seus atributos físicos. É muita carne exposta, sem pudor.

Rola muita bebida e doses de coisas mais pesadas, animando exageradamente o pessoal. Às vezes o clima esquenta e sai porrada de todos os lados. Noutra madrugada, o Rafael, rapaz boa praça, operador de van, recebeu um petardo no olho, sem ter nada com a confusão, sem nem ter visto de onde veio. Se houvesse arma naquele meio, alguém teria saido mais cedo desse cenário.

Porque as igrejas se recolhem nessas horas. Poderiam fazer reuniões liturgico-serestas para atrair jovens. Depois aparecem as voluntárias da Pastoral das Crianças para pegar carona em projetos consolidados e vitoriosos, como do CDI do Rodrigo Baggio.

As jovens baladeiras parecem ter saído de um lugar escuro, habitados por vampiros e travestis. São diferentes, anti-sociais, sexy-livres, linguajar frívolo e tudo mais depreciativo. Lógico que os pais desconhecem essa floresta, ou preferem fechar os olhos e ouvidos. Acredito que Deus está vendo e vai dar uma solução. Senão haveria uma profusão de sem-vidas pelas ruas a fora.

Ao comparar com os jovens, saindo da PUC-Rio ou PUC-Campinas, volto a sentir que o Brasil tem um berço esplendido e podemos nos ufanar deste país.

São várias maneiras de olhar os movimentos sociais das juventudes. Também fizemos as nossas artes no passado. É só mudar as lentes dos binóculos e ajustar o visor.

As jovens baladeiras serão as mães de amanhã, vigiadas pelas UPPs.


Rio de Janeiro, 27 de junho de 2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário