Plinio Sales
Nas andanças pelo Brasil grande, de norte a sul, ou do Oiapoque ao Chuí, é comum encontrar uma quantidade incontável de pessoas simples com vocação artística.
Basta cair um prato no chão, para sair para dançar no som do barulho. Só é difícil com as comemorações dos gregos, jogando pratos na parede. É difícil agüentar se não for Helênico.
Os sons naturais deram origem as palavras faladas. O som do movimento das águas dos rios, o farfalhar das folhas das árvores, os sons do raio e do trovão, o aparecer da lua e do sol; todos os fenômenos naturais com os ritmos, movimento e harmonia produziram as palavras e os sons que hoje em dia utilizamos.
Nada mais natural cantar, dançar e batucar ao ritmo das coisas, se mexendo ou paradas. Os acordes das músicas clássicas são todos exemplares. Beethoven para compor sua mais famosa sinfonia, inspirou-se nas batidas na porta de um cobrador de dívida: pam...pam...pam! E é assim pra tudo, os fenômenos naturais inspiram nossas artes.
A arte de cantar é um dom natural. Em qualquer bar, seja em Salvador, Brasília ou na Lapa, encontramos sempre um artista querendo um lugar ao sol. E, geralmente, se apresentando bem.
“Os melhores programas de calouros, surgem novas revelações que começam copiando outros com vozes parecidas com o candidato. Na maioria das vezes, nem sabem o nome do compositor, mas sabem o do cantor, fato que irritava muito o Ari Barroso ao ouvir o candidato anunciar:”eu vou cantar uma “musiquinha” chamada Aquarela do Brasil. Logo ele, que era o autor da musiquinha “ Aquarela do Brasil, um dos maiores clássicos da MPB.
Porque essas revelações não se transformam numa Ivete Sangalo, num Luan Santana ou numa nova bela revelação, colher de chá do Roberto Carlos, Fernanda Tavares, que não precisa nem cantar, pela beleza natural.
É simplesmente uma coisa que Napoleão exigia que seus melhores generais tivessem – a sorte! É a pura sorte!
Precisa ser descoberto, precisa do apoio de algum patrocinador e precisa ainda mais de disciplina e muito suor.
O Cartola foi descoberto pelo Sergio Cabral, o pai, e hoje está em todas as páginas musicais do Brasil. Não há quem não saiba cantarolar “as rosas não falam, simplesmente exalam o perfume que roubam de ti”. Foi descoberto como lavador de carros na Zona sul do Rio de Janeiro.
No interior da Bahia, da Paraíba, no Amazonas, vamos encontrar muitos Caubi Peixoto, Muitas Fafá de Belém, e muitas Betes Carvalho. Precisa ter sorte! De repente, Deus cochila e escorrega o dedo para apontar o sortudo e ele ou ela vai aparecer no programa do Raul Gil, que hoje é a NASA dos lançamentos artísticos. Não me restrinjo só no cantar. Vamos as outras artes: Teatro, promovido no Vidigal pelo Guti Fraga, com uma grande safra se apresentando no mundo inteiro e na Globo. As aulas de dança de Carlinhos de Jesus, o Teatro Municipal com músicas líricas. São tantos os canais que a sorte conduz os candidatos à revelação. Ouço uma cantora Deise Vieira, aparecendo no aconchego das reuniões musicais do Clube Naval, acompanhada da sorte que está presente.
A arte natural de cantar, colocada em cima da sorte, exercitada com fé, e esperança, perseverança e disciplina vai divinamente chegar ao sucesso no seu próprio tempo.
Boa sorte Deise!
Rio de Janeiro, 06 de junho de 2011
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