segunda-feira, 20 de junho de 2011

VAMOS DANÇAR ESTA, REPENTES E REVELAÇÕES DO NORDESTE

Plinio Sales

O Brasil é grande e majestoso e o seu povo é maior ainda, e como disse Euclides da Cunha: é antes de tudo um forte! Meu Próximo livro será sobre Personagens e Ruas do Bairro do Vidigal. Estou pesquisando e colecionando os possíveis personagens. Pelo jeito vai ser um livro volumoso. Todos os dias classifico vários, antigos e mais novos amigos de infância.

Hoje de manhã, enquanto esperava o pai, meu fornecedor de leite quente e uns pastéis, encontro com o Obina e o Chico. O Obina motoqueiro paraibano, bem articulado e bom de serviço, agora também trabalhando no Sheraton, como prêmio, reconhecido pela Mariana, por ter salvo a vida de um gringo que estava se afogando na praia do Sheraton. Por esse ato heróico, a Mariana abriu mão da exigência do 2º grau completo que o Obina não tem.

Já o Chicão – Francisco Farias da Silva, veterano vendedor de camisas de colégios e de pães, logo no início da subida do Vidigal, lado esquerdo.

Os dois são migrantes do Nordeste, vieram, contituiram suas familias, são bons trabalhadores e, ambos, embora sem grandes estudos, conversam sobre tudo e tem suas posições firmes.

Junte-se a eles o Zé do Sindicato do Vidigal, bar e restaurante amigo, que fica aberto até às 6 horas da manhã, para atender os da madrugada, os que saem das baladas, os motoqueiros, os quase bebados para tomar uma saideira e eu por acaso.

Enquanto conversávamos, o Obina põe na eletrola um CD do Zezo. O Zezo é um cantor do Pará que está fazendo tremendo sucesso nas comunidades do Brasil. Já tem uns 10 CDs gravados, todos com mais de 200.000 vendidos por CD. É um fenômeno! Todas as suas canções são de saudades. Mexem fundo com os nordestinos migrantes que moram na Rocinha, no Vidigal, em Heliópolis, no Recife e em outras tantas comunidades. Gosto demais do Zezo e desafio para que ouçam, se não gostar deixo de ser Flamengo e do PSDB.

Fizemos uma análise sócio-ambiental do Zezo e elegemos a música “Quero voltar pro Nordeste” como a mais linda e tocante nos nossos corações. Lembrei que, certa vez, minha filha tentou contratar o Zezo para tocar no meu aniversário dos 70 anos. Recusamos por questões financeiras, o cabra cobra mais caro que o Roberto Carlos. Pelo preço eu fiz o show e guardei os 100 mil que ele cobrava pela apresentação. O pessoal que gosta dele, só o vê se for na Feira de São Cristóvão.

Em seguida o Zé declama um “repente” e desafia o Obina que responde a altura, ambos com grande velocidade de raciocínio e respostas. Deixei de gravar por pura incompetência. Contratei um repente sobre o Lula, meu herói favorito. Falaram da dupla “Caju e Castanha”, como as mais famosas como repenfistas e que já fizeram ao vivo e para o Lula e com muito sucesso. Ficaram de me arranjar o CD para provar.

Com o som de Zezo, tocado na eletrola do Bar movida por 1 real por duas canções, estórias de repentes, quando o Obina tira o Chicão para dançar. Aí a dupla é uma negação. Devem voltar pro repente e o Zezo a rolar suas canções.

Deixei o crédito aberto para o Chicão e Obina tomarem mais 2 cervejas de saideira e fechar o bar.

Pessoal para enfrentar qualquer crise vamos dançar as músicas do Zezo.


Rio de Janeiro, 19 de junho de 2011

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