sexta-feira, 17 de junho de 2011

O PERFUME DAS FLORES

Plinio Sales

O olfato é um importante sentido, embora fique de lado, quando se enumera os 7 sentidos.

Cada animal usa o olfato como fator de sensibilidade, defesa, ataque, e conquista sexual. O olfato avalia a cada instante a qualidade do cheiro de alguma coisa e, permite, de olhos fechados, identificar a coisa já vista e cheirada.

Ninguém se engana em cheirar um limão e pedir uma caipirinha, até o mar tem cheiro. O dendê dos baianos é reconhecido no suor deles, acentuando o sabor do acarajé.

Há cheiros de várias tonalidades e sabores. Um dos mais importantes, é o cheiro das flores. São copiados e cantados no mundo inteiro.

O Cartola projetou o perfume das rosas, transferindo-o a saudosa amada: “as rosas somente exalam o perfume que roubam de ti.” Outras poesias, relacionam mulheres e perfumes. Falta a Clarice Lispector fazer o mesmo com os homens, sem compará-los a cravos e espinhos.

Muitas outras emprestam o seu cheiro natural aos alquimistas para fabricar os perfumes do circuito de Paris, Roma, Nova York, Rio. Formam um grande e sofisticado mercado.

O perfume é como o tempero pra dar sabor à comida. A mulher ou o homem perfumados tem outro sabor.

Há rios de dinheiro, navegando na indústria dos perfumes. É uma arte divina copiar a fórmula natural de por perfume nas coisas. Tudo tem perfume, atuando em nosso olfato. Os que podem ser desagradáveis ao ser humano, podem ser néctares aos ratos, às baratas e ao gambá com sua arma de defesa. Já se comparou alguém mal cheiroso, como tendo cheiro de gambá.

A arte está em por em vidros, grandes ou pequenos, o aroma que pode agradar olfatos. Há perfumes masculinos, neutros e femininos.

Para ser técnico-perfumista só precisa ter olfato, seber cheirar e copiar a fórmula de Deus.

Cheira-se tudo! Tem até a do português que se hospedou na pousada 14 no Vidigal e, durante a noite enquanto dormia, pintaram o bigode dele de cocô. Ao acordar, sentindo o cheiro identificou: é merda! Abriu a janela, cheirou pra fora e exclamou: É o mundo todo!

Há o cheiro natural, sem perfume, da mulata do português, que cheira bem, dá tesão, mas é difícil de levar em vidros para Portugal. O Sr. Arnaldo é que sabe: quase morreu disso, nem o viagra o salvou.

Então, devemos rodar nos jardins da vida, dos amores, das saudades e cantarmos o perfume das flores.


Rio de Janeiro, 17 de junho de 2011

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