Plinio Sales
O galo de Rostand acordava cedo, todos os dias, para cantar, porque no seu instinto, imaginava que se não cantasse o sol não nasceria. Pra ele a relação de causa e efeito era: Eu canto, o sol nasce!
Com essa tradição do galo despertador, tenho por hábito, também todos os dias, dar bom dia sol! Esteja o pré-dia como estiver: nublado, chuvoso, com a lua atrasada ou seja como estiver. Por incrível que parece o Galo do Chico está certo: o sol aparece, sorrindo anunciando o lindo dia. Ao passar pela avenida beira-mar do Recife, de Salvador, de Aracajú, de Belém, de Manaus, de Vila Velha, do Avião do Tom, é o mesmo sol do galo do Chico. A bela foto do nascer do sol, no horizonte, nos obriga a pensar na perfeição da obra de Deus. Os mestres clássicos da idade média, do Renascimento e do futuro, manipulam essa arte de Deus para abrilhantar as suas obras. Pode ser de natureza morta, pode ser figuras e personagens, há sempre o jogo de luz, para acentuar os cantos. Ficam bonitos aos olhos dos apreciadores, se fizer de qualquer cor e estilo. O Naval, grande pintor popular paraense, porém malandro carioca da Lapa, quando se propunha a vender uma obra, recém pintada, onde aparece tudo verde, até o céu que é azul, explicava que faltou grana pra comprar tinta, e do mesmo modo, o céu divino estava maravilhoso, porque nos nossos olhos era o céu, superior às cores. Até a dureza do Naval era uma circunstância de Deus.
Ao começar o dia, olhando-o na linha do horizonte, a chegada de um barco do pescador ou a jangada voltando, todos nos sentimos Caimmy e clamando: “o mar, quando chega na praia, traz as saudades do tempo, iluminado pelo sol. Ó mar das morenas do mundo, das costas da África que é da Bahia. “Inspira e plagia as canções do poeta.
Com o sol vem seus parceiros, saúde pra todos, energia calorosa, caminhando do Leste até o poente. E quando se põe a tribo de Ipanema, de pé, bate palmas, adorando-o com o sentimento mais primitivo das civilizações humanas.
O galo tem razão: Bom Dia Sol!
Rio de Janeiro, 11 de junho de 2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário