terça-feira, 14 de junho de 2011

A SAGA DE TOMAR REMÉDIOS

Plinio Sales

O hábito de tomar remédios se transformou num fato tão comum e corriqueiro que se vê em todas as casas e na hora do almoço em restaurantes chiques. Dizer que esqueceu de tomar os remédios é tão normal quanto dizer que perdeu a hora. Tomar remédio é a ponta de um longo processo de preparação.

Antes de tudo, por inteligência, devemos ter a consulta de um médico que emite uma receita, escrivinhada com garranchos que só o farmacêutico entende, porque fez um cursinho de interpretação no PHD de medicina. De posse da receita, consultar as várias farmácias para ver os preços diferentes de cada uma. O meu médico recomenda a Pacheco como segura para garantir a qualidade dos remédios. Com a invenção dos genéricos pelo Serra, temos a alternativa salutar de procurar soluções mais baratas, pois o preço dos remédios estão nas alturas, valendo os olhos da cara. Resolvido todos esses passos, devemos preparar uma tabela das horas, das vezes, da quantidade a tomar no decorrer do dia: manhã, almoço e jantar. As vezes temos até que tomar antes de dormir. É melhor contratar uma “personal remédios” para evitar falhas.

Já avaliou essa saga como funciona pesado. É quando não tem genérico, é uma decepção atroz: chinga-se o Serra por não ter feito o serviço completo. Contudo existe alguns governos que mandam os remédios dos mais idosos e portadores de determinadas doenças em casa, levando uma alegria e imenso conforto ao paciente. O SUS é um sistema muito aplaudido, mas precisa ser aperfeiçoado.

O pobre, quase miserábel, sofre demais para sair-se bem dessa saga. Há muitos postos de saúde que nunca teem remédios. A cruz vermelha do Betinho ajuda no que pode, como faz no Vidigal.

O cobertor do atendimento do programa de saúde, cobrindo 180 milhões de associados, ajudado pelos desejados e odiados planos de saúde, é curto em todas as direções. Os orçamentos, com recursos do povo, são mais utilizados para pagar os salários dos funcionários públicos e os nossos eficientes congressistas, levam mais de 60% e a saúde do povo só leva 6%. Pra que funcionário público, pra que.... pra nada!

A vida é a vida, nosso livre arbítrio é uma correia pela qual somos puxados pelo destino. Só Deus nos salva desta inevitável saga dos remédios.


Rio de Janeiro, 05 de junho de 2011

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