Plinio Sales
Não chega ser uma pesquisa com regras e normas, financiada pelo CNPO, mas podemos falar de um apanhado de observações no caminhar diário e se faz uma coleção.
Começo com a filosofia do Marcelo que acha melhor ser corno do que Presidente da República, porque corno é pra vida inteira e Presidente é só 4 anos, podendo renovar. Acrescenta que ser corno é insignificante, pois o importante é que ser pai é o que cria. E a bela doceira da tarde na frente do salão, que defende a sua arte de doceira com planos para construir um shopping do doce no Vidigal, principalmente brigadeiros que vende a R$ 1,00 para sustentar a criação da mãe e da filha, onde o Geraldão, de vez enquando abre a dura mão e paga 2 doces para se mostrar magnânimo.
Colho do chofer de taxi, acompanhado da minha filha Dani, a observação que o mundo todo está virando viado, igual a piada do português, que se hospedou na pousada da Rua 14, e durante a noite, dormindo, pintaram-lhe o bigode com um pouco de merda. Ao acordar-se sentiu o cheiro desagradável. Levantou-se abriu a janela, cheirou novamente e, então, exclamou: “É o mundo todo!” O mesmo que o chofer do táxi chamado José e, ainda confessando, que o parceiro que divide com ele o táxi, confessou ser homo para surpresa dele, pois o cara tem um bigode de dar inveja. Como diz a Dani é um pitbull disfarçado, não passa de uma lassie.
Falo com a Bianca na recepção do Hotel Sheraton, minha parceira das madrugadas, que sempre sorridente dá um afetuoso bom dia a todos. A Bianca fala um inglês perfeito de Oxford ou de Harvard e está sempre sorridente. Nunca teve uma dor de cabeça ou de barriga.
Preciso conhecer o Carlos Bonaparte, mas não poderia dialogar com ele, que ainda esta fazendo o pré-vestibular da PUC, mas fala o tempo todo e não deixa ninguém falar igual o seu inglês de Whartton de onde se orgulha de vir. Tem muitos planos para um dia realizar.
Outros personagens poderiam concorrer com o PS que cuida amorosamente dos passarinhos, liderados por dois trinca-ferros de cantar estridente e mavioso. Precisa ver o diálogo, entre os passarinheiros, é surreal. Fala-se de gaiolas, de feiras, de anilhas e o medo do IBAMA que, irracionalmente seqüestra os passarinhos bem tratados e os põe a morrer em algum sítio mal cuidado. As rações estão caras, exigindo vacinas e outras proteções. Noutro dia recebi uma oferta para trocar o trinca-ferro, que não é meu, por um fusca charmoso, por um passarinheiro amigo do PS, na subida do Vidigal, numa manhã de sábado.
Poderíamos abrir as falas de muitos personagens, eles com a ajuda do banqueiro João do Bar do Carlinhos, do Moysés da Cedae, da Graça que, por si sós, são personagens líricos e arquivos memoráveis, os que irão apontar os personagens que vão aparecer no meu próximo livro, fazendo par com o Sarrafo, o Mero, a Dona Conceição, a cantora mãe da Denise, a D. Noêmia mãe portuguesa do, não menos famoso, Carlinhos.
É uma galeria de personagens que, visto de perto, tem seu livro e suas histórias pra contar.
Por tudo isso, podemos parodiar o Carlos Drummond de Andrade, o Carlos da cartas da Vera Brant, que pergunta: “E agora José? A festa acabou, os personagens vem e vão. E agora José como continuam as falas desses personagens.
Rio de Janeiro, 05 de junho de 2011
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