É lugar comum ouvirmos lamentos corretos de que no Brasil existem muitos feriados. Isso é conversa de paulista, que corre pra lá, viaja de aviação, corre pra cá, enfrenta engarrafamentos de KMs todos os dias, tornando seus dias úteis, destinados ao trabalho, uma coleção de baixa produtividade e muito desgaste, para no fim de semana se divertir com os engarrafamentos das vias para Santos, Guarujá e outros lugares fora da Capital.
É como dizia o Luciano Furtado, meu amigo cearense de saudosa memória: Plinio, o Paulista é o vagabundo mais apressado do Brasil!
Já o carioca e o nordestino em geral discute a existência de muitos dias úteis no calendário. Veja Salvador dos Trios Elétricos, do Caetano, da Gal, do Dorival Caymmi, do Jorge Amado, do Luiz Carlos Magalhães, do Sérgio Gabrielli (nosso futuro governador) são 365 dias feriados. E nesses feriados, tome trabalho. O turismo, se bobear, já ultrapassou o Rio de Janeiro. O movimento de turismo vem do interior brasileiro, como vem do exterior com pontes aéreas de Portugal, da Espanha e de outros países da Europa. Parece folclore, mas os japoneses lançaram um Plano de Aposentadoria, denominado o fim é... Bahia! Viva seus últimos dias, descansando e feliz! Contam-me que hoje já é o maior Plano de Aposentadoria de Hiroshima e Nagasaki.
Então, tudo é a forma de trabalhar. Vejo uma certa idolatria para ter carteira assinada. Pura bobagem, a carteira assinada é o seu atestado de pobreza e de moderna escravidão é a Lei Aurea do Getúlio.
O futuro é o trabalhador ser o patrão de si mesmo, tendo como ferramenta de trabalho o celular do FHC. Nada de todos os dias acordar cedo, pegar a marmita, enfrentar 2 horas de condução e chegar aflito e cansado ao trabalho. Isto é um “redutio vitae” é a morte anunciada do Nelson Rodrigues.
Todo trabalhador deveria trabalhar em casa, junto da família, utilizando sua cota do Fundo de Participação de Patrimônio Brasileiro – FPPB – ao qual tem direito e do qual é sonegado, em favor dos poderosos (5% do PIB brasileiro).
Os feriados também são dias de trabalho. Pensa que é fácil programar diariamente, onde comprar o protetor solar genérico e obter os trocados para ir à praia de Copacabana ou a do Vidigal onde o Vinícius de Morais lavava os seios da sua amada.
É parodiar o argentino de Costarumba que já na segunda-feira é visto no bar, tomando o seu vinho sagrado, nas fraldas dos Andes, ao responder: “A semana já está perdida mesmo!”
A grande política social é dar ao povo-trabalhador brasileiro o mesmo padrão que usufruia os congressistas, os juristas dos Supremos e os eficientes e produtivos funcionários públicos, que consomem 80% da renda dos impostos pagos pela sociedade que, em última análise, é o povo. Assim chegariamos a isonomia social.
Os feriados de trabalho obrigam o descanso e o lazer dos bons baianos, sem lenço nem documento, mandariamos ao Rio de Janeiro, Aquele Abraço!
Rio de Janeiro, 24 de junho de 2011
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