Plinio Sales
Todos os dias se vê novas regras, novas leis, novas portarias, novas circulares, naturalmente para restringir, proibir ou impor sanções ou tributos.
Se fizermos uma coletânea de tudo isso que atormenta o cidadão, ou melhor tenta atormentar, porque o cidadão não toma nota e deixa a vida a levar, sem lenço, nem documento.
Só imagino, um cara qualquer pensar e planejar uma nova lei ou um decreto-lei. Primeiro tem que ter a idéia formada e chegar ao corpo do conceito. Em seguida redigir o texto e submeter ao copy desk de plantão. Olha por todos os lados e conclui que está no jeito.
Quais os caminhos que deve seguir para ser aprovado. Se for no Congresso, precisa arranjar um patrocinador que tenha credibilidade para aquela matéria. O Jair Bolsonaro tem o perfil de lutador, contestador e da direita. O Paulo Paim tem sua freguesia nos benefícios ao trabalhador, jamais patrocinaria uma causa que ferisse os direitos dos trabalhadores. Talvez uma moção popular com um milhão de assinaturas, mas é quase impossível de fazer e, na maioria das vezes, fica retido nos jardins do Congresso.
Até aí nada aconteceu, só na cabeça do autor, e nada irá acontecer, pois o Lula já disse que na Câmara dos Deputados tem 365 picaretas de plantão. O mesmo número de igrejas na Bahia.
O cidadão carece de ações positivas, ou como diz o Pedro Capp, de vontade política, embora ninguém defina que animal é este. De leis, portarias e circulares, nem as do colégio do filho lê.
Se essa parafernália arquitetada pelas mentes mais brilhantes do pais, aquelas que ao bater a campanhia das 16:00. pega o paletó na cadeira e se manda para fazer o bico mais lucrativo, se ela fosse empilhada dentro do Morumbi e alimentasse uma grande fogueira, haveria sobreviventes para, no dia seguinte, gerar outras leis e co-irmãs, para se aliar, no Inferno de Dante, com as bactérias nocivas do poder.
Se Deu, usando sua melhor competência, soprasse a burocracia e acabasse com todos os papéis do mundo, inclusive os que se escondem nas memórias dos computadores, limparia o mundo dessa escravidão do papel.
Feliz quem nunca leu o Código Penal, pois jamais comete crime legal.
Tantas leis, tantas regras: Pra quê, pra nada!
Rio de Janeiro, 21 de junho de 2011
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