Plinio Sales
Ninguém tem certeza de como surgiu a vida na face da Terra. Alguns afirmam que a vida nasceu da matéria inanimada, ainda não apresentaram um mecanismo convincente para a abiogenese. Os contra essa tese defendem a idéia de que a matéria morta não pode tornar-se vida. É mais defeso e eu estou nesse grupo que a energia transformou-se em matéria viva e essa, por sua vez, abriu a vida. E novamente a vida transformou-se em energia, completando-se assim o ciclo vital. Agora voltamos a questão primária, de onde saiu a energia. Ela não saiu do nada.
Aqueles que pairam sobre o coração do poeta sabem que, ao abordar o problema da origem da vida, existem duas questões básicas e interdependentes que precisam ser respondidas:
1. Os sistemas vivos são baseados em moléculas extremamente grandes e complexas que contém carbono. No lado oposto, o mundo não vivo de que se presume que a vida surgiu, é composto de moléculas pequenas, muito simples.
2. Os sistemas vivos são altamente organizados. A célula viva é uma entidade muito estruturada, operando através de um sofisticado sistema de catálises e de mecanismos de transporte e realimentação.
Se pretendemos construir qualquer teoria lógica sobre a origem da vida, devemos levar em conta a condição da terra há cerca de 4 bilhões de anos.
Se é difícil traçar o quadro da origem, vamos especular sobre o futuro da vida. Do jeito que vai seremos 8 bilhões em 2.100 e, dai prá frente, vamos decrescer por causa da insaturação do meio-ambiente e da redução da taxa de natalidade. A média do tempo de vida será prolongada e irá superar os 120 anos, nos próximos 100 anos, mas não será suficiente para manter a população estável nos 8 bilhões em 2050. A população mundial deverá estabilizar-se nos 5 bilhões, controláveis pela natureza, concentrada predominantemente na India, Africa e Asia, as quais incorporarão 80% da população da Terra.
Os fatores condicionates da energia, água, transportes e alimentação assumirão novas formas de uso.
A energia será a de origem solar, porque para isso foi criada. A água virá do mar e das geleiras, com processos transformadores motivadores da energia concentrada em ondas de luz.
Predominará o trasnporte aéreo e o marítimo, aparecendo pontes que ligarão a Terra ao ar e ao mar, sem falar nos túneis submarinos, e a alimentação, essa sim, será composta de pastas liofilizadas, compostas de carbono e proteínas sintéticas. O almoço virá pelo canudinho.
Poderíamos especular sobre o lazer sobre a saúde sobre as relações humanas. O amor será cada vez mais espiritual, desligado do sexo, fazendo com que os órgãos sexuais se atrofiem, por falta de uso. E a reprodução será maior “in vitro” e padronizada, com caráteres pré-elaborados.
O corpo-matéria será ciborgado, estruturado sobre silícios e mecanismos eletrônicos, guiados por chips inteligentes. E no futuro e mais 2 bilhões de anos, vai desaparecer a matéria e se transformar, conforme Lavoisier previu, numa macroonda de energia.
Se possível vamos reler Capistrano de Abreu no “que saudades que tenho da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais.”E lembrar com água nos olhos do caldinho de feijão da D. Iolanda.
A origem não sabemos, quanto ao futuro seremos inertes e impotentes, escravos da tecnologia e da natureza sobrevivente, comandando um exercício de robôs do Asimov.
Rio de Janeiro, 08 de junho de 2011
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