quarta-feira, 11 de maio de 2011

ANÚNCIOS FÚNEBRES ALEGRES

Plinio Sales

É normal comunicar o faleciemnto de pessoas por anúncios classificados como fúnebres nas páginas dos jornais.

Anuncia de forma simples ou de forma curricular, descrevendo a vida encerrada com muito mérito.

Um bom pesquisador poderia ganhar uns trocados, procurando penetrar um pouco mais profundamente nas histórias de falecidos nos seios das suas famílias, dos seus amigos e da sua comunidade. Utilizar a régua que mede a escala do efeito ausencia no seu meio social. Se a escala for 100 é porque era muito importante para seus admiradores, deixando um vazio prejudicial a todos, difícil de preencher a curto e médio prazo. Diz-se que ninguém é insubstituível, ao despedir um funcionário que pede aumento de salário. Mas uns são menos do que outros. Cito insubstituível como D. Zilda Arns, Sergio Bandeira de Mello, Juscelino Kubstcheck, Gandhi, Garrincha e outros pelo mundo afora.

Já os classificados na escala zero, dos quais se fala que já foi tarde, também merecem um exame mais acurado. Porque os detestam? Será por ter sido ranzinza, pão duro, infrator da lei Maria da Penha ou porque nunca socorreu um vizinho num momento de precisão. Há que ter um motivo. Na lápide revela: Aqui jaz um Corno! Não merece ser repudiado por isso. Pode ser fatal a um cidadão em qualquer tempo da sua vida.

Diante de tantas circustancias que levam os sobreviventes pagarem anúncios fúnebres, porque não tornar esses anúncios mais alegres:

“Convido-os para um festival de chops para comemorar a partida sem retorno do nosso estimado amigo José Tiburcio da Silva, com as pompas que mereceu. Traga dois convidados por adesão.”

Cabe contratar uma empresa que “alegre” os anúncios fúnebres.

Os anunciados se sentirão mais felizes, podendo-se até doar os esqueletos para estudos pelos centros de mumificação de preservação das imagens.

Fazer anúncios fúnebres alegres é uma forma de bom gosto.

Será o dasluto.


Rio de Janeiro, 10 de maio de 2011

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