Plinio Sales
A profissão de consultor é mais ou menos como a de ser Diabo. Precisa ter tempo de conhecimento, formado em todas as catedrais do saber, principalmente conhecer as facetas inesgotáveis da vida e se aprofundar nos ensinamentos da natureza, propostos por Deus.
Em igualdade de condições, todos somos competentes, sem distinção de raça, cor, religião ou opção sexual. Em casos de situações extraordinárias, como o advogado recém formado que vai trabalhar no escritório de advocacia do pai e herda a clientela, constituida em anos de profissão, possui vantagens comparativas em relação ao colega que não tem essa tradição. Esse sem familia tem que fazer concurso para trabalhar no governo.
A mesma coisa com os consultores. Ninguém consulta quem não tem experiencia, nem conhecimentos. Nessa profissão tem que ser Diabo. Não basta pedir o relógia do cliente para dizer-lhe as horas. Tem que ser e ter muito mais.
Quando, um deputado ou ex-ministro, se defende ao dizer que fez fortuna com o seu escritório de consultoria, confessa um crime de concorrência desleal. O que lhes dá o “handcap” sobre os seu colegas concorrentes no mercado, é justamente os seus conhecimentos e a sua influência, obtidos no exercício dos cargos ocupados ou que venha ocupar. Dizer que o Zé Dirceu é um consultor milionário de sucesso, mesmo só atuando no exterior,é considerar o Palloci um amador, pra não classificá-lo de trombadinha.
Onde está a ética, difundida pelos gregos, ao observar os políticos no trato das coisas públicas. Ela vale para antes, durante e depois.
Se não vai valer a lição do Stanislao Ponte Preta que afirma: se vale tudo “então nos locupletemos todos”. O Tim Maia ainda admite excessão: “vale tudo, menos homem com homem e mulher com mulher”, que agora mudou a regra: é vale tudo sem excessão.
O fundo da questão é: os conhecimentos, o know-how e as influências, adquiridos no exercício podem ser utilizados como instrumento profissional no escritórios de consultorias na vida privada? E sempre há limites? O que diz o manual da ética, aceita pela sociedade.
Rio de Janeiro, 19 de maio de 2011.
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