Plinio Sales
Ao escrever ou falar a nossa língua portuguesa, mesmos os acadêmicos cometem deslizes, quanto mais os pobres mortais que não são praticantes do vernáculo.
Os doutores-cientistas que dicionarizam as palavras, o fazem do alto dos seus gabinetes e, as vezes, em seus PCs, desligados dos povos: das ruas, dos grutões das áreas rurais.
Há diferenças regionais bem diversificadas, desde o interior de Minas (uai, trem danado de bom!) aos morros do Rio de Janeiro (tá ligado!), aos salões dos refinados clubes: Jockey, Monte Libano, Country e outros.
Em vários livros, observam-se erros de várias espécie. Seja de grafia, de concordância que prejudica o entendimento do leitor. A frase, sem pretensão, é aquela composta de: sejueito verbo e predicado. É fácil, mas é díficil a sua prática. A própria eufonia das palavras nos leva a enganos, senão vejamos:
1) cumprido e comprido
2) bolo de comer, bolo de confusão
3) cidadãos, cidadões
4) nos vai, nos vorta
Com muitas semelhanças e sentidos diferentes, nos deparamos a toda hora, nos conduzindo aos erros nas prosas. Somente os profissionais das redações dos jornais, têm categoria para corrigir as distorções. É bom ler e ouvir o português dos portugueses. Nos enrolamos na interpretação em muitos textos propostos por escribas professoras.
Agora “Nós pega o peixe.” é um exemplo da discordancia que existe entre nós.
Imaginem agora, introduzir um índio na conversa, muito comum em Brasília, Porto Seguro, Cuiabá, Manto Grande, aonde houver tribos indígenas, falando o português dêles, apoiados por seus tacapés.
Nós escritores, valemo-nos dos dicionários para diminuir os erros e tentar ser mais compreensível aos leitores normais.
E acrescente-se o pior que é a letra pequena, quase invisível.
Isso é pior do que escrever todos os erros num curto texto.
É melhor soltar a lingua sem censura, porque a lingua portuguesa ainda estará se criando.
Rio de Janeiro, 16 de maio de 2011
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